Na próxima quarta-feira, além dos inúmeros profissionais da Polícia Militar (PM), Marinha, Exército, Corpo de Bombeiros, entre outros, também farão parte do desfile cívico do dia 7 de setembro - Independência do Brasil - em Bauru cerca de 100 policiais inativos. O grupo está completando 10 anos de presença ininterrupta no evento.
De acordo com o cabo Jorge Santos, um dos organizadores do reencontro desses policiais, a ideia foi colocada em prática no comando de um antigo tenente-coronel. "A preocupação era que muitos policiais ficavam depressivos depois que se aposentavam. Então, é uma forma deles voltarem ao convívio dos antigos amigos. Na verdade acontecem atividades para eles o ano todo".
O 1º sargento Adalberto Monteiro Bispo, 82 anos, sendo 30 deles dedicados à Polícia Militar, conta que trabalhava dentro de um presídio. "Naquela época era muito diferente porque o sistema era outro. Nós impúnhamos mais respeito e tínhamos mais poder".
As histórias por eles contadas são inúmeras, inusitadas, emocionantes. Roberto de Oliveira Baptista, 67 anos, 1º sargento, veio da cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, para trabalhar como policial militar. Roberto não deixou de participar em nenhum dos dez desfiles cívicos do grupo e conta que a ocorrência mais emocionante que viveu foi na prisão de duas mulheres e um homem que tinham assaltado o então prefeito de Pirajuí.
"Nós estávamos passando em patrulhamento quando eu vi o veículo com três pessoas na frente. Resolvemos abordá-los e prendemos duas mulheres e um homem, além de três armas. Me lembro do nome de todos eles ainda. Isso foi há aproximadamente 23 anos", contou.
Salvando vidas
Outra profissão emocionante que traz muita lição de vida é a dos policiais do Corpo de Bombeiros. Américo Paes Filho, 60 anos, dedicou 29 anos de sua vida para salvar pessoas, trabalhando, inclusive, durante 10 anos na Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros.
Um momento que lembra com emoção e satisfação foi o salvamento de um homem no Rio Batalha. "Ele ficou preso na areia e eu vi o seu filho chamar por socorro quando eu estava indo para o trabalho. Não pensei duas vezes e comecei a tirar a terra com as minhas próprias mãos. Na hora só pensei em salvar a vida dele", contou, emocionado.
Já o 1º sargento Adélio Lopes Astolfo, 68 anos, não possui paixão só pelo trabalho que exerceu como policial militar. Ele também foi árbitro de futebol amador durante 32 anos. Neste mesmo tempo, trabalhou 30 anos como policial militar.
"Eu sou bauruense e trabalhava no antigo arrastão, que hoje podemos comparar à Força Tática. Todo desfile é uma expectativa de reencontro com os amigos".
Lembranças
Logo após o desfile cívico do Dia da Independência do Brasil, que será realizado na próxima quarta-feira, os policiais inativos irão se reunir entre amigos e familiares para um almoço na Associação de Cabos e Soldados de Bauru. "Ali o momento é de mais descontração. As histórias são inúmeras", frisou o cabo Jorge Santos, um dos organizadores do encontro.