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Entidades anunciam debate pelo cerrado

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 5 min

Em mais um capítulo da discussão sobre a preservação do cerrado em Bauru, entidades sociais e ambientalistas divulgam um manifesto público e pretendem envolver a sociedade no debate em defesa da lei que trata da área de proteção ambiental. Representantes das Organizações não Governamentais (Ongs) Bauru Transparente (Batra), SOS Cerrado, Instituto Ambiental Vidágua, Acorda Bauru e o Grupo Ação, Gestão e Responsabilidade, participam no próximo dia 6 de uma audiência pública na Câmara Municipal, às 18 horas, sobre o embate entre desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente. A discussão será transmitida pela TV Câmara, pelo canal 10 da Net. Além disso, um abaixo assinado organizado pelas entidades circula pela cidade e nos dias 10 e 11 será aberta uma exposição sobre o tema, no Sesc. O dia 11 de setembro é considerado dia do cerrado.

Com a iniciativa de ampliar o debate, segundo o professor de antropologia Silvio Maximino, membro da SOS Cerrado, as entidades pretendem acabar com a imagem de que ambientalistas são contra o desenvolvimento e questionar a iniciativa de flexibilização da lei do cerrado, em nome desse mesmo desenvolvimento econômico.

"Nosso foco é desmontar o argumento de que os ambientalistas e o cerrado são inimigos do desenvolvimento de Bauru. Essa é a falácia que pretendemos desconstruir. Estão querendo insinuar que por culpa do cerrado a cidade não progride e as empresas estão fugindo da cidade. O que vemos é que a cidade passou por décadas de administrações desastrosas que levaram ao processo de estagnação que sofremos hoje e querem usar o cerrado como bode expiatório. O que falta é que as pessoas que são responsáveis por proteger o meio ambiente desenvolvam ideias e projetos viáveis de desenvolvimento sustentável. A obrigação do poder público é de desenvolver essas ações. É obrigação do poder público garantir desenvolvimento com sustentabilidade", disse Maximino.

O professor defende que já existem várias iniciativas que podem ser adaptadas à realidade da cidade. "Mas, o pessoal só pensa em lucro fácil, chegar, derrubar o mato e colocar uma indústria ali. Mas, o benefício que a gente vai receber com esses impostos compensa a perda da qualidade do meio ambiente?", indaga.

A verba que a cidade recebe do governo do Estado por contar com áreas preservadas de cerrado é um argumento usado por Maximino. "Nossos vereadores deveriam defender projetos de lei na Assembléia para que aumentasse esse montante. Teríamos mais impostos se continuássemos defendendo o cerrado. Essa é a prova de que é mentira afirmar que o cerrado é inimigo do progresso da cidade", concluiu.


As entidades


Grupo de ação

Formado em março de 2009, o Grupo Ação, Gestão e Responsabilidade (AGR), é composto por alunos do quarto ano do curso de comunicação social: relações públicas da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), Bauru.

Tem como missão aplicar as teorias de relações públicas para transformar a sociedade, visando também influenciar a participação de cada indivíduo para alcançar seus objetivos nos âmbitos social, ambiental e cultural. Atua principalmente nas áreas de assessoria de comunicação, pesquisa, eventos, dentre outras atividades de relações públicas.

Vidágua

O Instituto Ambiental Vidágua é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos e sem vínculo político-partidário, fundada em Bauru em 1994 com o objetivo principal de articular a sociedade civil na defesa do meio ambiente. As principais finalidades da ong são desenvolver programas de proteção, recuperação e preservação ambiental; realizar estudos, pesquisas, projetos, planos e obras de abrangência regional e nacional, que promovam ou incentivem a recuperação dos recursos hídricos; promover cursos, palestras, ciclos de debates e publicações a fim de proporcionar educação ambiental ao público.

Batra

Ong que visa a transparência na gestão pública, procura avançar na articulação com a sociedade e autoridades visando ação efetiva e apresentação de propostas para melhorar a qualidade de vida da população.

SOS Cerrado

É uma ong que tem como objetivos manter viva a imagem do cerrado através de uma coletânea iconográfica sobre o bioma, usar a fotografia como ferramenta artístico-cultural de divulgação da fauna e flora do cerrado, ajudando assim, a se pensar num futuro melhor para o homem, integrar a Cultura artística com a Cultura científica, fazendo da fotografia um instrumento de registro e análise das espécies do cerrado e disponibilizar através do site, imagens para que estudantes possam ilustrar trabalhos escolares.

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Calendário tem debate, exposição, audiência pública e abaixo assinado

Aqueles que são contra a flexibilização da lei do cerrado debatem no próximo dia 6, na Câmara Municipal, às 18 horas, seus pontos de vista. A audiência pública, proposta pelo vereador Fernando Mantovani (PSDB), deve reunir representantes das entidades ambientalistas e de outras entidades sociais, além de vereadores e membros do governo.

O abaixo assinado proposto pelo SOS Cerrado repudia a proposta de relaxamento das regras de proteção do cerrado e pede o apoio dos vereadores de Bauru para proteger a mata nativa. "Que eles se coloquem do nosso lado, do lado da população e não do lado de meia dúzia de pessoas que vão ganhar muito com isso", afirmou Maximino. Segundo ele, já são mais de mil assinaturas, que devem continuar sendo reunidas até a abertura da exposição, no dia 11.

Já a exposição que vem sendo organizada no Sesc pelo Vidágua com apoio do SOS Cerrado deve contar com produtos típicos e outros itens que pretendem conscientizar a população sobre a importância de sua preservação, segundo o professor Maximino. Fotos, livros, panfletos e outras fontes de informação devem constar da exposição, que será definida na próxima semana.

Quem visitar a exposição poderá assinar o abaixo assinado. O documento deve ser entregue na semana seguinte à exposição, segundo os organizadores. "Queremos que as pessoas participem, que as pessoas assumam seu papel de cidadão. Afinal, elegemos nossos representantes para que cuidem dos nossos interesses, dos interesses da coletividade e não de um pequeno grupo".

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