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Bauru tem grande oferta em cirurgia

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Aperfeiçoar o visual não é pecado. Diferente de antigamente, quando quem passou por uma plástica se esquivava do assunto, hoje, mais e mais pessoas buscam o auxílio junto aos artistas do bisturi. Com maior procura, aumentaram as ofertas de clínicas especializadas. E mais: hoje, cirurgia plástica não é procedimento destinado apenas ao público da classe A. Em Bauru, não é diferente. Contudo, mais do que quantidade, qualidade é item essencial, afinal a obra modelada é de carne e osso.

Nesta fase, a procura aumenta para que as pessoas fiquem ?bonitas? no verão. Com 12 cirurgiões esteticistas devidamente homologados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) ? há outros dois especialistas listados, mas que se dedicam apenas às operações reparadoras ? a cidade se destaca no meio, arrancando elogios do próprio presidente nacional da entidade, o também especialista, Sebastião Guerra.

Segundo ele, o número ideal de cirurgiões plásticos para uma localidade é dentro da proporção 1 para 50 mil habitantes. Com 344 mil moradores, conforme o mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Bauru apresenta a confortável margem de um médico especialista em operações estéticas para 18 mil habitantes, quase o dobro.

"Bauru já é referência por causa do Centrinho, instituição muito conceituada, de muita reputação", elogia. "Na parte estética, visto que o ideal é um cirurgião para 50 mil habitantes, Bauru tem um bom número de profissionais credenciados pela SBCP", avalia o presidente da entidade.

Em meio a grande oferta, operações tradicionais como "turbinar" a comissão de frente entre as mulheres, lipoaspirações ou correções na face com alterações no nariz ou queixo, aparecem entre outras nem tanto, mas, nem por isso, inacessíveis ou novidade.

Entre esses procedimentos, está até mesmo a atual "coqueluche", embora não seja algo recém-descoberto, a ninfoplastia, ou operação de redução dos lábios vaginais. A intervenção, que ganhou os holofotes da grande mídia nas últimas semanas em virtude da grande procura por parte de jovens, muitas adolescentes, é realizada em Bauru há alguns anos, sem qualquer alarde.

Eudes Soares de Sá Nóbrega é um dos especialistas que fazem esse tipo de operação, indicada em casos de hipertrofia dos lábios vaginais, há muito tempo na cidade. Para o cirurgião, o grande destaque em torno do assunto é reflexo dos próprios tempos modernos em que assuntos proibidos antigamente hoje são discutidos na mesa do jantar. "Temas como sexo ou diversidade hoje em dia são falados abertamente e estão muito na mídia. Por isso tanto barulho sobre a cirurgia", atribui.


Moda ?antiga?

Segundo ele, muitas mulheres faziam esse tipo de operação em outros tempos, mas, por se tratar de algo extremamente íntimo, preferiam manter o silêncio até mesmo dentro da família. "O constrangimento era maior", compara, citando outro tipo de operação bastante procurada, a puboplastia, ou redução da dimensão da região pubiana.

Hoje o padrão de beleza é outro, observa o médico. Daí, de acordo com Nóbrega, um maior número de mulheres procura "emagrecer" a região pélvica. De acordo com o especialista, em muitos casos, o procedimento é precedido por operações para diminuição do abdômen. Quanto maior a barriga, mais evidente o púbis, ainda mais seguindo os atuais padrões.

"Pegue uma revista com fotos de mulheres nuas dos anos 1970 ou 1980 por exemplo e compare com atualmente. O considerado belo, antes, era a região pélvica com pelos. Hoje não é assim. Portanto, quanto menos saliente for (o púbis) melhor definido fica", observa o cirurgião. "Os efeitos do tempo não escolhem onde agir", atesta o médico, que assina artigo sobre o tema na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica.

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