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Prudência e paciência ditam ?arte final?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 5 min

Alguns quesitos devem ser muito bem avaliados por quem deseja "entrar na faca" para ficar mais belo ou bela. É melhor analisar com calma, antecipam os especialistas e gente que se submeteu a cirurgias bem sucedidas, para que o sonho não se transforme em pesadelos.

Profissionais filiados à SBCP, garantem médicos e pacientes, são obrigatórios. Além disso, as condições dos centros cirúrgicos onde as operações acontecerão, equipe médica e instalações para internação também devem ser levados em conta, junto, obviamente, aos valores. Contudo, a velha máxima: cuidado para o barato não sair caro.

Nesses casos, comenta o também cirurgião plástico Antônio Assunção, não há melhor indicação do que o bom e velho boca a boca. "Pertencer à Sociedade (Brasileira de Cirurgia Plástica) é importante, mas não é tudo", observa. O primeiro passo é conhecer alguém que tenha se submetido a uma cirurgia", considera.

A confiança, para ele, sempre fala mais alto na hora de escolher a quem depositar as expectativas de um corpo mais belo. Há 23 anos no ramo, Assunção enfatiza que, mais que dar moldes a sonhos, uma plástica estética é um procedimento médico em quem não está doente. Portanto, com responsabilidade dobrada.

Ele detalha cuidados em alguns procedimentos. Numa cirurgia abdominal, exemplifica o médico, é preciso atenção redobrada no pós-operatório, evitando complicações oportunistas. "Incentivamos a deambulação com o paciente curvado (para frente) evitando assim problemas como a trombose venosa profunda", ilustra.

Não há milagre, mas sim habilidade. Numa operação estética, destaca ainda o presidente da entidade que regulamenta a prática no País, o que rege mesmo não são os conceitos técnicos ? obrigatórios ? mas sim a destreza do cirurgião.

O esmero, contudo, não pode se confundir com prova de resistência. A implantação de próteses mamárias, exemplifica o médico, demanda pouco mais que uma hora de mesa cirúrgica. Melhorias na face ou pálpebras demandam 4h30 de bisturi. "Em casos de procedimentos em mais de uma região (do corpo) é recomendável pausa entre uma e outra. Para evitar o cansaço do cirurgião", pondera.

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Toque mágico


Para a decoradora Simone Betzke da Silva, de 35 anos, que, há sete meses, foi submetida a cirurgias de redução de abdômen e implante de 410 mililitros silicone nos seios, a cirurgia é definida assim: "É como se a gente entrasse numa máquina e saísse diferente de dentro dela".

Para ela, o novo visual propiciado pelas intervenções é a realização de um sonho que deve ser concretizado por qualquer pessoa que queira melhorar a aparência e, desta forma, estar de bem com o espelho e consigo mesmo, internamente. "Sempre tive uma vontade muito grande de ter uma barriga chapada. Felizmente realizei", comemora ela, valorizando o incentivo e apoio que teve, inclusive ou principalmente, do marido.

Contudo, apesar do fascínio em entrar na cápsula imaginária e sair com um visual novinho em folha, ela está ciente de que o benefício das cirurgias plásticas não pode se tornar numa busca obsessiva pela perfeição "na faca". "É preciso controlar o impulso", aconselha. "Afinal, isso os próprios médicos dizem, por mais seguros que sejam as operações hoje em dia, existe um risco. Nossas vidas estão na mão deles (cirurgiões)", acredita.

E foi justamente essa consciência que fez com que o produtor comercial Renato Luiz Posca, de 30 anos, pensasse um pouco mais antes de ir em busca da sonhada cirurgia abdominal. Freqüentador de academia e com uma rotina regrada para cuidar do corpo, apesar disso, ele não se contentou e buscou o auxílio do bisturi na busca por uma barriga perfeita.

Entretanto, após consulta com especialista, o que era tido como um balde de água fria na época, hoje, para ele, é um sinal de ética e competência médica. "Ele (o cirurgião) me disse que não havia o que fazer em termos de operação, que não era necessário", comenta Posca, que sonhava com uma lipoaspiração.

Hoje, ele conta que busca formas alternativas para acabar com a insistente saliência, que não vai embora apesar de dieta e exercícios. "Eu emagreci 23 quilos. Fechei a boca e comecei a fazer academia. Mas sempre fica um pouquinho. No entanto, o médico disse que uma operação seria desnecessária para tirar algo insignificante. Eu correria um risco para resolver uma questão pequena", compreende.

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Glamour não significa competência


O célebre ?doctor? Robert Rey, popularmente chamado de Doutor Hollywood, que tem um programa de TV onde realiza o sonho de beleza dos participantes, para cirurgiões que atuam fora dos estúdios televisivos, não passa de um engodo com grife de "médico milagreiro". "Ele (Robert) muito mais desinforma do que informa", considera o cirurgião bauruense Antônio Assunção.

Brasileiro, de origem humilde, mas adotado por família norte-americana, o dr. Hollywood ficou famoso por ser, como o próprio apelido diz, o "médico das estrelas". Porém, observam especialistas, ele raramente é visto com a mão na massa. "Esse médico não tem credibilidade", atesta o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Sebastião Guerra. "Ele aparece na clínica, mas normalmente são outros médicos que são mostrados durante operações", salienta o chefe nacional da entidade.


Serviço

Médicos bauruenses filiados à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP): Agnaldo Elon Disarz, Antônio Guedes Alcoforado Assunção, Eudes Soares de Sá Nóbrega, José Sérgio Machado Neto (cirurgias reparadoras), Marcos da Cunha lopes Virmond (reparadoras), Marcos Lupércio Novo Silva, Telma Vidotto de Souza, Bashir Mussa Grazi, Victor Zillo Bosi, Cristiane Rocha, João Gabriele, Marlon Alexies Azevedo Barbosa, Rodrigo Delamano Criado, Carlos Eduardo Bertier. (Fonte: SBCP).

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