Normalmente, quando somos ofendidos ou vitimados por prejuízos de ordem material ou moral, nossos pensamentos, no momento, cogitam ou afloram expressões conhecidas como "Não levo desaforo pra casa"... "Pagarei com a mesma moeda".
São frases que encerram no seu contexto uma tradução de sentimentos vingativos, de ódio e revide, deliberando contra o ofensor o propósito de desforra e perseguição acalentado no prazer e satisfação de dizermos que "Justiça foi feita". Dessa maneira, não importando suas consequências, albergamos em nossos corações o desejo de vingar-se; uma herança ancestral cujos costumes primitivos e selvagens permanecem latentes e revitalizados na sociedade contemporânea, onde preceitos como o perdão, compreensão e tolerância deveriam ser mais praticados.
Enquanto demorarmo-nos por abandonar estes vestígios bárbaros que nos animalizam e nos escravizam, continuaremos sofrendo as injuncões de terríveis padecimentos para o corpo e a alma, regidos pela lei de causa e efeito. Incompatíveis com o progresso moral e intelectual, a vingança cerceia-nos a possibilidade de sermos co-construtores na grande obra Divina pela paz, alçando voos mais amplos na busca pela sabedoria e amor. Sabemos da dificuldade em vencermos e superar nossas más tendências, acomodados, preferindo estagiar nas estâncias da negligência e ignorância, comprometemos os valores mais nobres da vida que nos convidam a renovação constante. Parafraseando um dos belos ensinamentos de Jesus ..."Sejamos como o homem prudente que constrói sua casa em bases firme para que a insensatez da vingança não devaste como tempestade as nossas mais doces e felizes aspirações".
Marildo Campos Brito, padeiro e porteiro