Internacional

Legistas ainda tentam identificar todas as vítimas do 11 de Setembro


| Tempo de leitura: 2 min

Nova York - Dez anos depois, um grupo de médicos legistas ainda luta para identificar todas as vítimas dos atentados de 11 de Setembro, mesmo sem qualquer sinal de 41% das pessoas mortas nas Torres Gêmeas.

"Não há uma obrigação legal, porque todas as famílias que solicitaram receberam um atestado de óbito dos parentes, mesmo dos desaparecidos. Mas os médicos que trabalham no caso estão envolvidos numa decisão de ordem ética e moral", explicou Mechthild Prinz, diretora do Departamento de Biologia Forense, que funciona no prédio moderno do Departamento de Saúde e Higiene Mental da cidade de Nova York.

Até o momento, os legistas identificaram 1.628 das 2.753 vítimas dos ataques de setembro de 2001 em Nova York, o que representa um percentual de 59%.

No início, o processo foi rápido e relativamente simples - com o recurso a métodos tradicionais como impressões digitais, radiografias dentárias e até fotografias. Mas, com o tempo, foi se tornando cada vez mais árduo e 1.125 vítimas ainda não foram identificadas. Dez anos depois dos ataques, cinco médicos legistas ainda tentam identificar 6.314 partes de ossos encontrados na zona do World Trade Center. A tarefa é tão delicada que as salas utilizadas para esse fim não são acessíveis, mesmo à imprensa, para evitar riscos de contaminação.

No nosso caso, depois de observar o trabalho de um médico legista através do vidro da porta, o jornalista e o fotógrafo foram conduzidos a uma grande sala, usando luvas, para observar o funcionamento de um robô, encarregado de tirar amostras de DNA para serem comparadas com as fornecidas por presentes, no banco genético de familiares das vítimas.

"Lembro-me de um pequeno fragmento de osso do tamanho de uma moeda, encontrado no telhado do prédio do Deutsche Bank (vizinho ao World Trade Center). A partir daí, fomos capazes de identificar uma pessoa que trabalhava nas Torres Gêmeas", contou Taylor Dickerson 3º, supervisor do grupo de legistas.

Na maioria dos casos, no entanto, os novos fragmentos estudados correspondem ao DNA de pessoas já identificadas, explicou.

Assim, desde 2006 só foi possível identificar 31 pessoas, número que se reduziu a apenas duas, nos últimos dois anos. A identificação mais recente ocorreu no mês passado, segundo dados oficiais.

Também há casos nos quais o DNA encontrado não pode ser atribuído a nenhuma pessoa na lista oficial de vítimas -seja porque nem todas as famílias entregaram amostras, ou porque a vítima é um imigrante ilegal ou um sem-teto que estava por perto no momento das explosões.

De qualquer forma, segundo Prinz, o trabalho silencioso e muitas vezes infrutífero realizado pela equipe realmente vale a pena, pelo menos para levar um pouco de conforto às famílias das vítimas identificadas.

Comentários

Comentários