Terminado o mês de agosto, as distribuidoras de gás liquefeito de petróleo (GLP) já preparam o repasse da negociação salarial deste ano para o preço, o que afeta diretamente o botijão de 13 quilos da dona de casa. Entre os revendedores, o reajuste pode implicar em um aumento de até R$ 2,00 sobre o botijão para o consumidor final. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) esclarece que as distribuidoras têm total autonomia para praticar os reajustes no preço do gás.
A lei nacional de número 9.478 de 1997, que entrou em vigor em 2002, revela o regime de liberdade de preços em toda a cadeia de produção, distribuição e revenda de combustíveis e derivados de petróleo. Desta forma, não há tabelamento de preços, nem fixação de valores máximos e mínimos no setor.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) aponta para a mesma justificativa e acrescenta que as distribuidoras associadas não declaram ao sindicato qualquer modificação no preço do gás LP. Mas, entre os revendedores, o movimento na direção do reajuste em razão da negociação salarial da categoria é real.
Revendedores
A reportagem do Jornal da Cidade realizou pesquisa junto a algumas empresas revendedoras de gás de cozinha em Bauru e verificou que os preços dos botijões de gás na cidade variam de acordo com o preço de cada distribuidora.
Um revendedor da distribuidora Nacional Gás, que teve a identidade mantida em sigilo, ainda vende seus botijões a R$ 35,00 para o consumidor que for buscar o produto na empresa. "Eu não vou repassar este preço agora. Vou ver até quando eu consigo absorver esse preço", comentou um deles.
Já outro revendedor da Ultragaz, de nome também não revelado, afirmou que os preços já serão reajustados a partir de segunda-feira. "Hoje (sexta-feira) a distribuidora já aumentou o preço na nota e eu consigo manter esse valor até segunda-feira. O preço anterior era de R$ 40,00 e vamos aumentar para R$ 41,00 ou R$ 42,00. A distribuidora justifica que o aumento neste mês é por conta do dissídio da categoria.
A cabeleireira Edilaine Cristina Silva, 29 anos, se assustou ao saber do aumento do valor do gás. "Eu já pago R$ 42,00. Em casa moramos em muitas pessoas. Temos minha mãe, avó, padrasto e dois filhos. Não uso nada para economizar. É gás e não tem acordo", disse.
Estudo da ANP
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) realiza estudos do comportamento dos valores praticados no mercado nos estabelecimentos de todas as cidades brasileiras. Este estudo, que pode ser acessado através do site www.anp.gov.br, mostra que no mês de agosto o menor preço do botijão de 13 quilos de gás LP em Bauru era de R$ 34,00. Já o maior valor cobrado era de R$ 41,00, sem levar em consideração a taxa de entrega.
Já o menor preço da distribuidora para o mesmo produto custou R$ 27,30 para o revendedor. O maior preço pesquisado pela ANP em Bauru foi de R$ 31,73. Os dados do repasse para o mês de setembro só poderão ser computados a partir desta segunda-feira.
Fala-povo: Como você economiza o gás de cozinha?
"Eu procuro usar menos o forno, mas não tem como economizar muito. Pago cerca de R$ 40,00 o botijão".
Elisângela Ribeiro, 32 anos, balconista
"Não tem muito como economizar. Eu pago entre R$ 40,00 e R$ 47,00 o botijão de gás".
Benedita Aparecida Ribeiro, 47 anos, ajudante geral-
"Não economizo. Às vezes eu uso o forno elétrico mas não tem muito porque tenho cinco filhos e netos. Gostamos de nos reunir
em casa".
Elizete Haddad, 68 anos, professora aposentada
"Não tem como economizar. Se eu uso o microondas, gasto mais energia elétrica. Um botijão não dá para um mês em casa, vou ter que gastar mais".
Maria José Húngaro, 54 anos, doméstica-