Tribuna do Leitor

Valores - que mundo é esse?


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Estamos neste mundo onde os valores andam meio deturpados. Fazer o certo aparentemente parece estar errado. Ouvi um caso esses dias que fiquei com muitas perguntas e resolvi escrever. Uma amiga, que chamarei pelo nome de "Maria", foi a uma loja comprar duas calças jeans. Escolhidas as calças, foi ao caixa, onde foi perguntando se a mesma gostaria de colocar o CPF na nota fiscal, tudo feito conforme os procedimentos normais.

No entanto, Maria não reparou se pegou a Nota Fiscal ou se a operadora do caixa colocou juntamente com a mercadoria dentro da sacola, estava com pressa e se descuidou desse detalhe, que fez toda a diferença. Assim que ela adentrou sua casa, percebeu que uma das calças estava com o material que eles fixam na calça e é tirado na hora que passam pela operadora do caixa. Material esse que caso alguma pessoa saia da loja uma sirene toca, é o sistema para prevenção contra roubo. Logo pensou que o sistema não estava funcionando.

Vendo o material na calça, foi logo procurando a Nota Fiscal e constatou que não estava com a mesma. O primeiro procedimento, como uma pessoa correta, certa, foi ligar para a loja e falar sobre o acontecido. A pessoa que atendeu pediu para ela voltar à loja para resolver esse problema. No mesmo dia, à tarde, Maria foi levar seu marido à fisioterapia e como o procedimento demorava por volta de 40 minutos resolveu nesse intervalo ir até a loja.

Ao adentrar a loja notou que o alarme não soara novamente, perguntou a um funcionário pelo nome da pessoa que conversara pela manhã por telefone e descobriu que se tratava da gerente. Ao encontrar a gerente discorreu todo o fato novamente e a mesma pediu para aguardar. Maria percebeu que algumas meninas passavam e olhavam para ela, dando a impressão que estavam pedindo para que as operadoras dos caixas a vissem e se a reconheciam.

Tudo começou a ficar esquisito, ela ficou com a impressão de que todos estavam pensando que ela era alguma ladra, algo assim. Estava com a sensação que estava errada por ter voltado a loja, perdendo dinheiro devido à condução e perdendo tempo. (O prazo da fisioterapia do marido nesse meio tempo já tinha acabado e ele ficou esperando.) Maria disse que ela sabia quem era a operadora do caixa que a atendeu, porém, mesmo assim foi tomando um chá de banco até que enfim trouxeram a operadora.

No primeiro momento, a operadora disse que não lembrava, mas Maria foi discorrendo, rico em detalhes, tudo que se passara no momento do pagamento, desde as outras operadoras que estavam trabalhando do lado até a conversa que estava discorrendo no momento. No final a mesma, enfim, recordou de Maria. Depois de tudo o que já tinha passado, ainda tiveram a coragem de dizer que eles não iriam cobrar a calça, como se ela já não tivesse pago a calça anteriormente. Sensação de estarem fazendo um favor.

Foi tudo tão constrangedor na história, parece que o certo seria se a Maria tivesse quebrado o material preso na calça ao invés de ter voltado a loja. Este é mais um dos casos que o certo, o correto, a verdade, seria melhor ignorá-la. E eu me pergunto: será que os valores estão sendo mudados? O errado está se saindo melhor? Caso acontecesse novamente com Maria, será que ela iria ter todo esse trabalho de voltar à loja para fazer o certo?


Divani de Cássia Pereira

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