Polícia

Polícia Civil identifica autores de agressões a universitário

Tânia Morbi e Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

A Polícia Civil identificou os agressores de Giovanni Comora Silva, 19 anos, estudante universitário que foi espancado no dia 18 de agosto durante uma festa em uma casa noturna na quadra 7 da avenida Getúlio Vargas (antiga Dolce). Os dois rapazes se apresentaram após serem identificados por uma equipe do 3º DP, mas seus nomes completos não foram divulgados, já que o inquérito não foi concluído.

Cristian B.C. tem 21 anos e cursa faculdade de publicidade. Túlio W.P.A.S. tem 20 anos e está no ensino médio. Segundo o delegado Milton Bassoto Júnior, que comandou as investigações, os nomes foram preservados porque os dois acusados estariam colaborando com as investigações. "Essas pessoas não nos parecem criminosas contumazes".

A investigação contou com fotos dos dois suspeitos da agressão contra Giovanni, postadas em sites que cobrem festas em casas noturnas da cidade, mas a identificação definitiva foi conseguida apenas na última segunda-feira. Após contato com familiares, os rapazes decidiram se apresentar.

Na versão apresentada ontem à imprensa pelo delegado seccional de Bauru, Marcos Buarraj Mourão, os rapazes disseram que tudo aconteceu no banheiro da casa noturna. Um amigo da vítima teria batido com força no box onde estava Giovanni, que ao sair, acusou Cristian pelas batidas, mesmo após outros amigos terem afirmado não ser ele o autor. Depois de uma discussão, começaram as agressões.

Embora admitam terem batido em Giovanni, os dois acusados negam ter causado traumatismo na vítima, de acordo com o delegado seccional. "Nem o Cristian, nem o Túlio admitem ter pisado na cabeça dele (Giovanni). Cristian admite que desferiu chutes contra a vítima e logo saiu do local", descreveu o delegado.


Lesão corporal


Apesar da alegação dos jovens, é o laudo pericial complementar, solicitado pela polícia, que vai definir a gravidade das lesões. Segundo a polícia, este laudo deve ser feito após 30 dias do fato. Mesmo assim, o delegado Bassoto vai indiciar os dois acusados por lesão corporal, e não tentativa de homicídio, como chegou a ser cogitado logo após o ocorrido.

A mudança na classificação do crime, de acordo com o delegado Mourão, ocorreu porque não houve intenção de morte por parte dos agressores. Testemunhas teriam informado que Cristian, considerado pela polícia como principal agressor, teria interrompido os golpes sem que fosse contido por outra pessoa.

"Ele tinha possibilidade de matar o rapaz se quisesse, mas parou a agressão. Ele chutou, foi violento. A vítima estava no chão, se ele quisesse consumar e matá-la ele continuaria. Então, concluímos que por motivo fútil ele começou a agredir, bateu e foi embora".

No caso de lesão corporal grave, a pena varia de 1 a 5 anos de detenção. Já em caso de lesão gravíssima, a pena é de 2 a 8 anos.

Os jovens não se conheciam, de acordo com o delegado Bassoto, e há indícios de que a vítima teria ingerido bebida alcoólica durante a festa. Não há indícios, por outro lado, de que agressores e vítima tenham consumido drogas na noite do crime.

Depois dos depoimentos dos acusados, a polícia deve voltar a ouvir Giovanni, que por enquanto só falou de forma informal, três dias depois da agressão. Com a conclusão do laudo complementar e de um novo exame físico da vítima o inquérito deve ser concluído, mas os delegados não souberam precisar em quanto tempo.

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Relembre o caso


O jovem Giovanni Comora Silva, 19 anos, estudante da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) na Universidade de São Paulo (USP), permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Beneficência Portuguesa com traumatismo craniano e fratura em toda a face, depois de ser agredido em uma casa noturna em 18 de agosto.

Na época, os pais do jovem ficaram revoltados com a violência. "Quem fez isso com meu filho é um assassino. Giovanni é uma pessoa pacífica, muito querida pelos amigos, nunca teve problemas de comportamento, tanto que aos 19 anos ingressou na USP. Ele foi violentamente espancado. Os seguranças da boate não fizeram nada para defendê-lo," desabafou a mãe, a administradora Rita de Cássia Comora Silva.

O jovem passou por uma série de exames no Hospital de Base, onde foi atendido, antes de ser transferido para a Beneficência Portuguesa.

Uma testemunha contou ao JC que estava na boate com uma amiga quando presenciou a cena. "Minha amiga parou na escada e então eu vi uma pessoa saindo do banheiro e outra o espancando. A vítima caiu e o agressor, que usava uma bota, pisou na cabeça dele. Fez um barulho horrível. Ele (Giovanni) estava sangrando muito. Eu falei para o agressor parar, mas ele nem deu importância para minha intervenção. O segurança veio atrás e foi socorrer a vítima, enquanto o agressor subiu as escadas como se nada tivesse acontecido."

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Advogados alegam que jovens estão ?assustados?


Medo. Segundo o advogado José Roberto de Mattos - um dos três que irão atuar na defesa dos dois jovens envolvidos na agressão do universitário Giovanni Comora Silva -, foi exatamente esse sentimento que fez com que ambos não se apresentassem à polícia anteriormente.

"Eles ficaram bastante preocupadas e assustados com tudo o que aconteceu. Eles são jovens e não monstros, como foi falado. Não sabiam da dimensão que tudo havia tomado. Até porque, de acordo com eles, o que aconteceu não deixaria a propensa vítima daquela maneira", explica o advogado.

Mattos conta que os jovens relataram ao grupo de advogados a mesma versão apresentada à polícia ontem. Segundo eles, quem teria começado a briga seria o próprio Giovanni. "Eles disseram com as próprias palavras que Giovanni estava ?chapado? e, depois que seus próprios amigos bateram na porta do banheiro, ele saiu e deu um tapa em Cristian (um dos jovens acusados da agressão). Aí, começou a briga".

A advogada Isabel Cristina Ghiselli Ribeiro que juntamente com Mattos e Karina Reis também atuará na defesa afirma que os jovens alegaram não saber da gravidade da situação. De acordo com os advogados, após a briga, Giovanni caiu, porém, não foi desferido qualquer pisão, conforme foi apontado por testemunhas.

"Eles foram colocados para fora pelos seguranças, porém, ficaram em frente à casa noturna onde estavam o restante da noite. Não viram polícia e nem o jovem ser socorrido", relata Isabel Ribeiro.

Os advogados afirmam que a linha de defesa ainda não foi traçada, exatamente porque o inquérito não foi concluído e os jovens sequer foram indiciados. "Acreditamos que será lesão corporal. Acho que a hipótese de tentativa de homicídio está descartada. O que ocorreu ali é que eles foram se defender de uma briga", conclui o advogado José Roberto de Mattos.

Um dos jovens envolvidos e seus familiares foram procurados ontem pela reportagem. A mãe dele, entretanto, preferiu não dar entrevistas. Segundo ela, somente os advogados iriam se manifestar a respeito do ocorrido.

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