O tribunal que julga o ex-presidente Hosni Mubarak pela morte de manifestantes durante os protestos de janeiro no Egito intimou na quarta-feira o chefe da junta militar do país e outras autoridades de primeiro escalão para prestarem depoimento neste mês, o que pode ser decisivo para o futuro do ex-governante.
O marechal Mohamed Hussein Tantawi, que foi ministro da Defesa de Mubarak durante 2
anos e agora dirige o Conselho Militar que governa o Egito, foi um dos intimados para prestar depoimento a portas fechadas - decisão que pode irritar muitos egípcios, que exigiam mais transparência no processo.
O juiz Ahmed Refaat disse que o tribunal, que já realizou quatro sessões desde 3 de agosto, irá ter audiências diárias na semana que vem para acelerar o processo contra Mubarak, acusado de conspirar para matar manifestantes e incitar alguns oficiais militares a usarem munição real.
Refaat surpreendeu o tribunal ao final da audiência de quarta-feira ao convocar Tantawi, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sami Enan, o ex-chefe de inteligência Omar Suleiman e o ministro do Interior, Mansour el Essawy. Tantawi irá depor em 11 de setembro.
"A decisão de hoje é uma grande surpresa, que irá transformar o processo e nos levar para um campo inteiramente diferente", disse o advogado de acusação Hassan Abou el Einein à Reuters.