Cairo - O tribunal que julga o ex-presidente Hosni Mubarak pela morte de manifestantes durante os protestos de janeiro no Egito intimou ontem o chefe da junta militar do país e outras autoridades de primeiro escalão para prestarem depoimento neste mês, o que pode ser decisivo para o futuro do ex-governante.
O marechal Mohamed Hussein Tantawi, que foi ministro da Defesa de Mubarak durante 20 anos e agora dirige o Conselho Militar que governa o Egito, foi um dos intimados para prestar depoimento a portas fechadas - decisão que pode irritar muitos egípcios, que exigiam mais transparência no processo.
O juiz Ahmed Refaat disse que o tribunal, que já realizou quatro sessões desde 3 de agosto, irá ter audiências diárias na semana que vem para acelerar o processo contra Mubarak, acusado de conspirar para matar manifestantes e incitar alguns oficiais militares a usarem munição real.
Refaat surpreendeu o tribunal ao final da audiência de ontem ao convocar Tantawi, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sami Enan, o ex-chefe de inteligência Omar Suleiman e o ministro do Interior, Mansour el Essawy. Tantawi irá depor em 11 de setembro.
"A decisão é uma grande surpresa, que irá transformar o processo e nos levar para um campo inteiramente diferente", disse o advogado de acusação Hassan Abou el Einein.
Muitos adversários de Mubarak, que foi hospitalizado em abril e assistiu a todas as audiências numa maca, têm demonstrado insatisfação com o ritmo do julgamento, relativo à morte de cerca de 850 pessoas durante as manifestações do começo do ano.
Mubarak, que passou três décadas no poder e foi deposto em 11 de fevereiro, é o primeiro líder árabe a ser julgado presencialmente desde o início da onda de rebeliões populares que ficou coletivamente conhecida como Primavera Árabe.
Refaat disse que os funcionários deporão a portas fechadas por razões de segurança nacional. "Não quero ouvir nenhum som até que eu tenha terminado de ler as decisões."