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O 11 de Setembro de todos nós

Samuel Biassi do Nascimento
| Tempo de leitura: 3 min

Gosto de olhar com mais otimismo e menos fatalismo para os eventos da vida, sem cair no triunfalismo barato da nossa geração, quando somente vê sucesso no caminho. Sou realista, sem ser masoquista! Não gosto de sofrer, mas não costumo negar a realidade da possibilidade da dor! Domingo é o aniversário de dez anos de um fato que marcou e mudou para sempre a história da humanidade. No dia 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos viveram a maior tragédia de sua história. Dois aviões, sequestrados por fundamentalistas religiosos islâmicos, derrubaram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em plena Manhattan, matando 2.753 pessoas. No mesmo dia, outro avião também sequestrado foi lançado contra o Pentágono, matando quase 200 pessoas; e ainda outro avião foi arremessado sobre uma área rural, no estado da Pensilvânia, matando quase 40 pessoas. As imagens chocaram o mundo!

Quando olhamos para o onze de setembro de 2001, aprendemos algumas lições sobre as tragédias da vida. 1º) As tragédias revelam a nossa vulnerabilidade. Até aquela fatídica terça-feira, os Estados Unidos se sentiam um país seguro, como a maior potência militar e econômica no mundo. O onze de setembro revelou que mesmo os fortes possuem as suas fraquezas. 2º) As tragédias mudam a configuração da vida. O onze de setembro mudou a história não somente dos EUA, mas alterou a história mundial. Há um registro histórico do antes e do depois dos ataques às torres gêmeas, colocando os ataques como a gênese de uma nova era. As tragédias reformulam a vida! 3º) As tragédias ressuscitam os valores mais nobres da existência. As tragédias nos fazem lembrar de que precisamos de cooperação e não só de competição, de sossego e não só de sucesso, de fé e não só das finanças, de Deus e não só de poder. 4º) As tragédias nem sempre colocam fim à vida. Ficar para contar a tragédia é a prova cabal de que a vida não acabou. Os Estados Unidos sofreram um baque, mas não foram eliminados como nação. A vida continuou! A tragédia do onze de setembro não foi um fato isolado. Tragédias acontecem todos os dias, sejam elas de grande ou de pequenas proporções. Existem as tragédias do mundo psíquico ou as tragédias sociais. Pessoas passam pela tragédia da perda de um ente querido, doenças, acidentes, desemprego, quebra financeira, separação conjugal, abuso sexual, bullyng, fracassos na área moral e engano no mundo espiritual. As tragédias fazem parte do pacote da existência!

Alguns definiriam as tragédias como má sorte ou obra de satanás, enquanto outros menos informados diriam que as tragédias são o peso da mão de Deus. Muitas tragédias são verdadeiras surpresas no caminho: eventos inesperados; carregam a configuração do impensável, imponderável, imprevisível, inexplicável e do aleatório. Esse tipo de tragédia chega sempre sem avisar e sem nos preparar! Outras tragédias são mais previsíveis, pois chegam à vida depois de vários sinais: previsões, enfermidades, rachaduras, abandono, má gestão, ameaças, desavenças e rancores são sinalizações de que um dia um tsunami pode invadir a vida. Essas tragédias poderiam ser evitadas! Não podemos culpar a Deus pelas tragédias humanas, pois cada tragédia acaba sendo um produto da própria história do homem. É preciso lembrar que o homem que desmata é o mesmo homem que se torna vítima da mata que desmatou!

Aprender com as tragédias é tão importante quanto sobreviver a elas. Não podemos sair de uma tragédia apenas tirando os destroços de sobre nós, batendo a poeira do corpo e tocando a vida. O onze de setembro de todos nós é uma realidade que nos faz depender da existência de um Deus cheio de misericórdia e graça, que transforma tragédias traumatizantes em experiências edificantes.

O autor, Samuel Biassi do Nascimento, é teólogo e pastor titular da Primeira Igreja Batista de Bauru e graduando em psicologia pela Universidade do Sagrado Coração-USC

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