Washington - Em um discurso tão esperado quanto criticado, Barack Obama propôs ao Congresso na noite de ontem cortar impostos na folha de pagamento, conceder isenção fiscal a empresas que contratem novos funcionários e investir em infraestrutura, antecipou a Casa Branca.
Embora não tenha mencionado em momento algum o valor total de investimentos necessários para implementar as medidas, detalhes divulgados pela Casa Branca mostram que o pacote custará US$ 447 bilhões aos cofres públicos.
Nos trechos divulgados, Obama também fala em mais empregos para professores e veteranos de guerra - uma senha para investimento em educação e descontos para quem contratar ex-soldados. "Estou enviando a este Congresso um plano que deve ser aprovado imediatamente. Chama-se Lei dos Empregos Americanos", diria Obama aos legisladores reunidos no Capitólio.
"Não deve haver nenhuma controvérsia sobre esse projeto de lei, pois tudo nele é o tipo de proposta que tem tido apoio tanto de democratas quanto de republicanos."
E para os que temem um maior inchaço do já alto deficit público americano com o novo plano: "Tudo listado aqui será pago. Tudo."
Analistas passaram a semana tentando interpretar as mensagens e promessas do governo para estimar quais áreas o plano afetaria e qual seria sua dimensão.
Pelos cálculos apresentados, a maioria achava as propostas insuficientes para estimular uma economia que cresceu menos que o esperado no primeiro semestre e um nível de desemprego que não cai para menos de 9%.
Ante o pessimismo, o presidente do banco central dos EUA (Fed), Ben Bernanke, reiterou ontem, sem detalhar, que a autoridade monetária agirá para estimular a economia, quando preciso.
Obama já havia anunciado que estenderia os cortes de impostos para a classe média - eles expiram no fim deste ano - e que proporia investimentos na construção e reparo do sistema rodoviário. Mas, até então, suas propostas eram vistas por analistas políticos e economistas como pouco específicas.
A oposição, que se mostra inflexível em negociar as medidas e que adotou o bordão do emprego em sua campanha, também o pinta como nocivo à economia.
Com sua popularidade na casa dos 40%, seu pior nível, o presidente ainda lida com o ceticismo do eleitor.
Pesquisa divulgada na quarta pelo Centro de Pesquisa Pew mostrava que entre 62% e 71% dos americanos (conforme a medida) achava que a proposta teria pouco ou nenhum efeito sobre a situação dos empregos no país.
O investimento em infraestrutura - proposta com maior chance de esbarrar na oposição - era a medida vista como mais efetiva, com 36% afirmando que terá impacto.
Já o corte nos impostos dos cidadãos era tido como importante por menos de um em cada quatro americanos.