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Homem morre em incêndio na Vl. Seabra

Bruna Dias, Vitor Oshiro e Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

As chamas protagonizaram mais uma tragédia ontem em Bauru. Após outro grande incêndio, Adenir Pinho Nogueira, 37 anos, morreu carbonizado em sua residência, localizada na Vila Seabra. A mãe da vítima, uma idosa de 82 anos, também estava no imóvel, porém, conseguiu ser socorrida apenas com ferimentos leves. Segundo moradores vizinhos, foram apenas dois minutos para que o fogo consumisse inteiramente o imóvel. Este ano, é a quinta vítima que perde a vida no fogo em Bauru.

O incêndio de ontem ocorreu na rua José Bonifácio, 15-68 e, além de Adenir, que não conseguiu ser socorrido a tempo, a mãe dele, Ernesta de Souza Nogueira, estava no local. Por sorte, ela teve apenas queimaduras leves.

Ainda não se sabe como as chamas começaram. De acordo com Roberval Cervantes Doro, 45 anos, vizinho da residência, quando ele percebeu, o fogo já tinha consumido grande parte dos fundos da casa de madeira onde moravam Ernesta com Adenir e um outro filho.

"Quando eu vi que as labaredas estavam saindo pela janela, peguei a mangueira de casa e comecei a jogar água. Mas o fogo estava muito intenso. Como a senhora (Ernesta) estava tentando salvar o filho, eu a retirei de lá e chamei o Corpo de Bombeiros, que veio rapidamente e começou a apagar o fogo", contou a testemunha, que iniciou os primeiros-socorros à vítima.

Ernesta Nogueira foi levada pela Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros até o Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru, onde foi socorrida. Ainda não se sabe ao certo o motivo de o filho de Ernesta não ter conseguido se salvar. Após as chamas terem sido extintas, o corpo de Adenir foi localizado próximo à cozinha.

Os vizinhos, que lotaram a rua para acompanhar o trabalho de mais de 10 homens do Corpo de Bombeiros, contam que escutaram o barulho de explosão quando o fogo começou. "Nós ainda não sabemos o que pode ter causado o incêndio. O resultado só sairá depois de feita a perícia. Foram retirados três botijões de gás do local e agora estamos fazendo o rescaldo para cessar o incêndio", informou, na tarde de ontem, o tenente Edson Winckler Filho, comandante da operação.

Além do delegado plantonista Ronaldo Divino, a Polícia Cientifica esteve no local e realizou a perícia no que sobrou da residência. O laudo, apontando as causas reais do incêndio, deve ficar pronto dentro de um prazo de 30 dias.


Propagação


Apesar de, segundo o tenente Winckler, o incêndio ter durado 40 minutos, foram necessários apenas dois minutos para que, de acordo com os vizinhos, o fogo se propagasse para todo o imóvel.

O coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, explica que três fatores implicam na rápida propagação: temperatura, umidade baixa e o vento. Para controlar o fogo, foram utilizadas 3 viaturas e 16 mil litros de água. No fim da noite de ontem, outra residência, na quadra 2 da rua Albino Malaquini, no Santa Edwirges, também pegou fogo. Entretanto, as chamas foram controladas pelos bombeiros sem fazer vítimas.

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Umidade em alta


Ultimamente, a impressão que se tem é a de que Bauru está literalmente queimando. A irresponsabilidade de pessoas que colocam fogo em mata e o tempo seco são pontos que, combinados, representam grande perigo. Porém, se a conscientização não ocorre, o tempo irá ajudar.

De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), haverá leves pancadas de chuva este fim de semana, o que contribuirá para elevar a umidade. "O volume de chuva será pequeno. A temperatura também não vai cair, ficando na média de 28 e 30 graus. Só a umidade que sofrerá boa alteração", explica o meteorologista do IPMet Fernando de Almeida Tavares.

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Fogo resultou em 5 vítimas fatais neste ano e Defesa Civil faz alerta


A tragédia ocorrida ontem na Vila Seabra consolida um saldo assustador para Bauru em 2011. De janeiro até agora, cinco pessoas perderam suas vidas em meio às chamas. O primeiro caso registrado ocorreu em julho.

No dia 9 daquele mês, um menino de apenas 1 ano morreu carbonizado no bairro Vila Bela durante a madrugada. Na ocasião, outras pessoas que também estavam no local se feriram sem gravidade. Segundo eles, o fogo teria começado com um curto-circuito no abajur. Falhas na parte elétrica são as principais causas de incêndio e, por isso, todo cuidado é necessário (veja no quadro acima).

Três dias depois, o fogo fez outra vítima. Dessa vez, o borracheiro José de Oliveira Silva, 73 anos, morreu em sua residência no Jardim TV. A hipótese de acidente foi aventada, entretanto, no mesmo dia, Solange Cabral do Nascimento, 31 anos, confessou ter ateado fogo no marido enquanto ele dormia. A motivação do crime ainda é investigada pela polícia.

Ainda no dia 27 do mesmo mês, mãe e filho ficaram gravemente feridos em um acidente com uma enceradeira. Segundo os bombeiros, eles usavam gasolina para limpar o chão de uma casa na quadra 15 da rua Quintino Bocaiúva quando houve a combustão. Quatro dias depois do acidente, Luiz Henrique Berbel, 24 anos, morreu. Após três dias da morte do filho, Neuraci Nunes Berbel, 42, também não resistiu aos ferimentos.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, Bauru teve um longo período sem mortes em incêndios, sendo que este ano está sendo atípico. Ele explica que é preciso sempre fazer avaliações periódicas nas residências para evitar possíveis acidentes. "Temos sempre que estar atentos. Estamos cercados por perigos e precisamos estar alerta. Todo cuidado é pouco", aconselha Brito.

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Empresa de recicláveis destruída no Distrito 2 retoma as atividades


Além da morte registrada ontem, em um período de apenas 11 dias Bauru acumulou dois incêndios de grandes proporções e potencial de destruição em locais que abrigam toneladas de material reciclável. A empresa de processamento de recicláveis, no Distrito Industrial 2, destruída por um incêndio no dia 28 de agosto, retomou anteontem suas atividades. O proprietário da empresa Reciclar, Gilson Guilhermo Molica Rojo diz que ainda existem focos de incêndio controlados e depende de máquinas para revirar o que restou e debelar totalmente as chamas. Como a destruição foi generalizada na empresa, o proprietário diz que começou a captar material das empresas fornecedoras e mandar os recicláveis para processamento em Marília.

Ele avalia que perdeu toda a estrutura e os dois barracões de armazenagem e processamento estão comprometidos. Rojo diz que tentará reaproveitar ao máximo o que restar das construções, contudo não sabe precisar ao certo o que restará em condições de manter de pé.

Ele movimentava 1.500 toneladas por mês, principalmente de plástico e papel. Ele está dando férias para parte dos funcionários. A empresa era tocada com cerca de 40 colaboradores e Rojo explica que tentará manter toda a equipe para retomar 100% as atividades. A Reciclar fica na quadra 2 da rua Maurita Vaz Malmonge, no Distrito Industrial 2.

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