Bairros

Celeiro de pesquisas, preservação, educação ambiental e lazer

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Melhorias e novas atrações são metas

 

Hoje, movimento parece ser a palavra de ordem do Jardim Botânico de Bauru. Isso porque as transformações e novas criações estão a todo vapor. Além das coleções de orquídeas e samambaias, estão previstas para breve uma coleção de bromélias e um lago que abrigará outra (coleção) de plantas aquáticas. Além delas, a coleção de palmitos Jussara, planta do município com apenas um remanescente nativo, está sendo preparada com mudas cultivadas no viveiro do Jardim.

“Todo o espaço que é construído no Jardim Botânico é pensado sobre três coisas: parte técnica, que são as coleções com representatividade regional, um novo espaço para ser explorado pela educação ambiental e um espaço de  lazer”, afirma o diretor.

Outra novidade importante é a transformação de um grande espaço para a ampliação da área de visitação, um sonho antigo que já está em andamento. Para breve, outro presente do Jardim Botânico aos  visitantes é a contratação de 10 guardas-parque para monitorar a reserva, orientar e acompanhar os visitantes nas trilhas. Com esses profissionais, a ideia é, também, identificar e combater os focos de incêndio com mais agilidade”.

 

Remédios da natureza


Hortelã, catinga de mulata, manjerona, confrei, entre outras plantas nativas e exóticas com poder curativo compõem a Praça Medicinal do Jardim Botânico de Bauru. Além de servir para pesquisas científicas sobre seu poder medicinal, logo logo a praça vai fazer parte de um programa social com deficientes visuais. Uma parceria com a Unimed vai transformar a Praça Medicinal em um jardim sensorial com canteiros elevados, piso tátil e placas em braile. Além da textura, tais plantas têm um cheiro forte, por isso a escolha para o projeto.

“Além do investimento da Prefeitura Municipal, que tem atuado de forma efetiva neste mandato, contamos com a parceria de cerca de 20 empresas privadas, atualmente. Tal ajuda é muito importante pois agiliza a realização de novos projetos e a manutenção do jardim”, aponta o diretor. 

 

 

Coleções de encher os olhos

 

Coloridas, pequeninas, grandes...De encher os olhos. Uma das mais convidativas atrações do Jardim Botânico Municipal de Bauru (JBMB), o orquidário encanta e atraí visitantes de todas as idades e cidades da região. Perfeitas em sua complexidade e variedade de formas, cores e tamanhos, as orquídeas compõem uma coleção de 137 espécies e mais de 2 mil vasos de plantas nativas e exóticas. 

Segundo o diretor do Jardim Botânico, Luís Carlos Almeida Neto, as coleções de plantas são tradicionais em jardins botânicos e podem ser conservadas tanto em ambiente natural quanto em ambientes artificiais, onde a estrutura é aproximada das características naturais. “É fundamental trazer os espaços ao público, isto é fundamental em um espaço como esse e a coleção de orquídeas foi o nosso primeiro prédio construído”.

Apesar da vontade muitas vezes ser irresistível, o diretor do Jardim Botânico ressalta a importância de não tocar nas plantas, o que não é permitido já que roupas, cabelos e mãos normalmente contém esporos de fungos e podem levar doenças às plantas.

Outra coleção bastante apreciada e não menos bela que o espaço abriga é o Recinto das Pteridófitas ou a “coleção de samambaias”. Atualmente são 54 espécies de samambaias, o que totaliza 350 plantas, quase todas do Jardim Botânico e de Bauru. “Algumas vieram do desmatamento do Rodoanel de São Paulo, quando fizemos uma parceria com o Jardim Botânico da capital do Estado”, lembra Luís Carlos.


 

Cenário natural

 

Não é difícil encontrar quem escolha o Jardim Botânico de Bauru para eternizar momentos ou fazer uma bela foto. Um exemplo disso é a auxiliar administrativo Fernanda Cruz Henriques, flagrada pela reportagem quando era fotografada de noiva, dias antes do casamento. “O cenário é perfeito. Um dos lugares mais belos da cidade, com certeza”.  

“O Jardim Botânico é um espaço de lazer com informação e muitas pessoas vêm até ele para registrar seus momentos. Mas é preciso lembrar que o espaço não é um parque urbano, portanto, não é permitido levar cachorro, empinar pipas, ouvir música alta, fazer churrasco ou jogar futebol. Algumas pessoas teimam nisso. São cuidados essenciais para a preservação e a saúde do ecossistema”, lembra o diretor Luís Carlos Almeida Neto. 


 

Patrimônio florístico

 

Uma sala cheia de armários fechados com muitas, mas muitas pastas contendo plantas prensadas e secas. À primeira vista um herbário pode não parecer interessante, ainda mais para quem gosta de ver as plantas verdes e floridas. Porém, a coleção presente em um herbário é de extrema importância para a catalogação, referência e estudos das plantas, o que também contribui para sua preservação.

No herbário do Jardim Botânico Municipal de Bauru, hoje, há cerca de 1.400 plantas catalogadas, com algumas espécies exóticas, mas a grande maioria do próprio Jardim. De acordo com o diretor Luís Carlos Almeida Neto, registrar o nome correto das plantas e suas principais características é uma das mais importantes funções do herbário.  

“Uma das grandes contribuições de um jardim botânico é fazer a catalogação das plantas regionais. Imagine todos os jardins e as universidades com esse trabalho. Você consegue ver o que há de patrimônio florístico em um país”, acredita.

Para a realização do trabalho, há um especialista para cada família de planta. O trabalho de campo é feito por um biólogo e o espaço é aberto apenas para pesquisadores. “Nossa meta é digitalizar todas as imagens e colocar no site do Jardim Botânico. Dessa forma, qualquer pessoa pode pesquisar e ter acesso aos exemplares”, explica o diretor. 

 

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