Bairros

Jardim Botânico: Um refúgio no cerrado

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

 Imagine você ter um imenso jardim com vegetação nativa preservada, coleções de plantas como orquídeas e samambaias e ainda se deliciar com o cantar de pássaros e as peripécias de pequenos animais, como os micos. Bauru tem um jardim assim, porém, bem mais complexo em sua constituição, trabalho e potencialidades. O Jardim Botânico Municipal de Bauru é um refúgio para espécies ameaçadas de extinção, é celeiro de pesquisas científicas, escola ambiental, cenário para projetos culturais e lugar ideal para quem quer apenas caminhar em meio a tranquilidade da natureza. 

Hoje, 11 de setembro, é o Dia do Cerrado e o Jardim Botânico conserva uma importante área desse importante bioma. Uma das poucas remanescentes no estado de São Paulo. E tal reserva está inserida dentro de uma unidade de conservação, que aliada às áreas de conservação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto Lauro de Souza Lima, mantém um hotspot (área importante para a conservação e que mantém alta biodiversidade) de cerrado, mantendo em sua reserva uma riqueza incalculável de plantas e animais nativos.

De acordo com o diretor do Jardim Botânico, Luís Carlos Almeida Neto, o que mede um jardim botânico é sua estrutura e os trabalhos que realizam. “O de Bauru já é importante por sua própria reserva de 321 hectares (um hectare tem aproximadamente as medidas de um campo de futebol). Juntos somam 800 hectares de reserva de cerrado, o que quase não existe mais no Estado. Por isso há essa lei de cerrado tão rígida e que está sendo discutida na cidade. É preciso preservar o que ainda temos”, alerta.

 

Prato cheio para pesquisadores

Apesar de não ter pesquisadores em seu quadro de funcionários, o Jardim Botânico é destaque em pesquisas científicas. Para tanto, as parcerias com institutos de pesquisas e universidades são fundamentais. Atualmente, a Unesp de Bauru e Botucatu estão entre as principais parceiras nas pesquisas.

“Temos inúmeras pesquisas no momento e todas relevantes. Acredito que o jardim é  berço de pesquisas devido a sua qualidade de preservação. Há pesquisadores desenvolvendo trabalhos sobre plantas medicinais e seu uso para medicamentos e, recentemente, foi concluída uma pesquisa sobre a regeneração da área de cerrado”, ressalta Luís Carlos Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico Municipal de Bauru (JBMB). 

O Jardim Botânico é também um prato cheio para pesquisadores por ser uma área natural e um fragmento grande de vegetação nativa. Além do cerrado, nas trilhas, os visitantes podem observar espécies da floresta estacional, ou mata atlântica do interior de São Paulo, como também é conhecida.

“Há muito para ser estudado, levantado e descoberto, tanto na área de ecologia quanto florística. Quanto mais informações, melhor para a conservação. Aprendemos através das pesquisas”, salienta Luís Carlos.

 


Prêmios


Em 2006, o Jardim Botânico foi premiado por um programa realizado pela Rede Brasileira de Jardins Botânicos, o “Investindo na Natureza no Brasil”. O projeto premiado foi o “Pteridófitas: Educação e conservação - Uma proposta do Jardim Botânico de Bauru”. O dinheiro do prêmio, cerca de 15 mil libras, na época, foi destinado para a construção do prédio e da coleção de samambaias, além de servir para a construção de um laboratório de horticultura e da educação ambiental de mais de 2 mil crianças.

 

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