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Mostra desvenda ?segredos? do cerrado

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Mostrar riquezas que estão ao lado de casa, mas que muita gente desconhece. Este é um dos principais objetivos da exposição "Viva Cerrado". A iniciativa, realizada pelo Instituto Vidágua no Sesc/Bauru, está aberta ao público com entrada gratuita até as 18h de hoje. Por meio de fotos, vídeos, materiais impressos e, principalmente, produtos e subprodutos trazidos diretamente do cerrado, mostram a variedade de plantas, frutos e respectivos subprodutos do castigado bioma, que, atualmente, ocupa apenas 1% do território paulista, que já foi coberto por 14% desse tipo de mata, conforme levantamento do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Apenas 18% do que resta é legalmente protegido.

As árvores de troncos tortuosos e folhas grossas que caracterizam o bioma, com relevância extremamente alta na região, conforme o instituto organizador da mostra, escondem a abundância de uma fauna com 830 espécies de aves e 160 mamíferos, bem como uma variada flora com plantas servis para alimentação ou até mesmo fins medicinais.

Frutos como o pequi e buriti, muito utilizados, respectivamente, nos ramos alimentício e cosmético, ou a casca do barbatimão, com potente ação cicatrizante, chamaram a atenção dos visitantes ao lado de peças de artesanato e até mesmo alguns aperitivos vindos diretamente do cerrado, como as sementes de baru.

Servidas torradas, com gosto semelhante ao do amendoim e um leve toque amargo, as sementes fazem sucesso ao lado de licores também vindos da mata, constantemente sob ameaça. "A nossa principal finalidade é trazer ao público, colocar em pauta a riqueza existente no bioma, que vive sob forte pressão", comenta Jonas Costa Rangel, do Vidágua.

Estudante de biologia e responsável pela coleta de sementes e produção de mudas do instituto, ele cita a constante "guerra" entre preservação e expansão urbana, não apenas em Bauru, mas em diversas cidades circundadas pelo cerrado e que necessitam de novas áreas para a ampliação de atividade industrial.

Entre o público que visitava a mostra ontem à tarde, era grande a surpresa pela diversidade de subprodutos do tipo de bioma tão próximo à cidade. "A gente praticamente vive nesse ambiente e não conhece o potencial do bioma em volta da cidade", elogia o designer Nelson Gomes, que visitou a mostra ao lado da filha Eduarda, de 9 anos, e do sobrinho João Guilherme, de 6. "Não sabia que dava para fazer tanta coisa (com produtos da floresta local)", impressiona-se a garota. "Nem sabia que existia pequi. Achei muito bonito o artesanato", aprova a amiguinha Letícia, de 10 anos.


? Serviço


A mostra com produtos fabricados a partir de matéria prima retirada das matas de cerrado tem o último dia de visitação hoje, no Sesc/Bauru. O evento está aberto ao público do meio-dia às 18h.

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