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Aposentadoria pública perde espaço

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 7 min

A aposentadoria foi motivo de festa para os avós. Os pais de hoje se frustram ao receber o direito ao merecido descanso ofertado pela previdência oficial, após o segurado homem contribuir 35 anos, ou ter idade a partir de 65 anos, e a mulher 30 anos de contribuição paga, ou aos 60 de idade. A percepção é de que a conta não fechará no mês para o pensionista da previdência social. A inevitável constatação é que a renda somente será favorável mantendo-se na ativa da labuta diária remunerada.

Para desatar o nó da aposentadoria sem perspectivas para milhões de brasileiros, uma parcela da sociedade já optou pela equação "previdência pública mais previdência privada resulta em renda sólida na aposentadoria". O economista Reinaldo Cafeo define que, para parte da classe média, a previdência privada deixou de ser inatingível. "Não é mais uma elite (que tem acesso) e não é uma coisa insegura. Já está na pauta de investimentos das famílias", garante.

Para não encarar o fantasma da queda dos rendimentos ao se aposentar, é preciso projetar um cenário financeiro de longo prazo. Diferente do que ocorria com a geração passada, avessa a plano privado, a visão é de um investimento seguro e complementar à pensão do INSS.

Cafeo vai além, indicando que as pessoas estão optando por apostar na previdência privada ao invés de colocar dinheiro em aplicações como CDB (certificado de depósito bancário), caderneta de poupança e a segura aquisição de imóvel como investimentos.

Para Cafeo, foi-se o tempo em que o "vovô vai abrir uma poupança para a netinha". O economista entende que o plano privado possibilita programação, tempo de contribuição e com o titular tendo a possibilidade de transferir o plano para o beneficiário aos 18 anos.

O economista salienta que muitas empresas já oferecem previdência privada como benefício para atrair profissionais. Quando o empregador não banca a totalidade, consegue condições favoráveis para os empregados contratarem o serviço.

O diretor regional do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-SP), Fernando Alvarez, assegura que a previdência privada caminha para ser mais importante que a previdência pública, em um futuro muito próximo. Ele destaca a mobilidade de planos, com seguro de vida embutido, e um conjunto de coberturas que a pública não consegue atingir.

Alvarez explica que um recém-nascido pode ter um plano particular. "A mobilidade da previdência privada irá superar em muito a pública. É claro que uma irá complementar a outra", projeta.


Inversão


Rogério Cunha Carlos, gerente regional de uma empresa de seguros e previdência, entende que a previdência particular ultrapassará em importância a previdência pública em um curto espaço de tempo.

Cunha vai além ao projetar que não apenas a previdência privada faz a cabeça do investidor, como também a poupança voltou a crescer e os consórcios. "Hoje o brasileiro quer resguardar o futuro dele", salienta.

De acordo com Reinado Cafeo, pessoas com maior poder aquisitivo já inverteram a equação investindo em previdência privada. Esse segmento detém renda mensal variando entre R$ 8 mil a R$ 10 mil e investe em um plano privado que garantirá R$ 5 mil de renda ao aposentado. A Previdência Social cobrirá a diferença, pagando o seu teto máximo de R$ 3 mil.

Cafeo adverte que a classe média entrou tarde na previdência privada e não tem poder financeiro suficiente para contribuir com um mix entre privada e pública. Ele explica que, da sua convivência, conhece pessoas que estão com valor de contribuição mensal para a privada de até R$ 2,5 mil e contando com o teto da pública.

"Conheço poucos que já conseguiram inverter, fazendo previdência privada em um valor maior do que a oficial", destaca.

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Quanto mais cedo, maior o retorno


Quanto mais cedo começa o investimento em previdência privada, melhor. A contribuição torna-se pesada, por exemplo, se o perfil é de pessoa na faixa dos 30 anos, projetando se aposentar em 20 anos. O economista Reinaldo Cafeo destaca que, neste caso, o contribuinte precisará ter alto valor de investimento para conseguir um razoável benefício.

Em uma simulação básica, Cafeo demonstra que com um aporte de R$ 100,00 mensais, com 30 anos de contribuição e renda mensal de R$ 1 mil, a pessoa não terá retorno do plano particular muito superior a R$ 800,00, em valores de contratação atuais.

Cafeo indica a consulta às instituições financeiras e seguradoras que disponibilizam em seus sites simuladores de planos. O JC fez uma consulta em um banco público com algumas simulações.

Com um investimento conservador procurando uma complementação de R$ 1.500,00 mensais iniciais, a pessoa terá que desembolsar por mês pouco mais de R$ 360,00. O perfil do segurado é de um homem, de 37 anos e que contribuirá durante 28 anos. Este mesmo perfil, mas para uma contribuição de R$ 981,00 mensais, o valor da aposentadoria sobe para R$ 4 mil iniciais por mês.


Cenário favorável


A inflação controlada, estabilidade no mercado de trabalho, renda do trabalhador em alta e facilidade de crédito no mercado são os indicativos dos últimos 10 anos que possibilitam ao brasileiro completar um ciclo de equilíbrio financeiro e virar um consumidor com atitude mais precavida. Nos últimos anos, a consciência da necessidade de poupar se consolidou.

O economista Reinaldo Cafeo comenta que as gerações anteriores tinham certa aversão à previdência privada. Em contrapartida, seus filhos querem segurança, que a aposentadoria da previdência social não oferece.

Enquanto o bolso sente a fragilidade da aposentadoria pública, o alarmante rombo anual das contas da Previdência Social fortalecem a imagem negativa da instituição controlada pelo governo.

O déficit da soma aproximadamente R$ 50 bilhões anuais. Projeções do Ministério do Planejamento mostram um buraco de R$ 30 bilhões em cinco anos apenas com o reajuste de 7,72% nas aposentadorias superiores a um salário mínimo, concedido no final do mês passado.

Essa sensação negativa projeta mais estresse na vida do segurado, considerando-se que o número de idosos cresce a cada ano no Brasil. Dados do IBGE sugerem que, em 2050, o grupo de crianças com idade entre zero e 14 anos corresponderá a 13,15% da população, enquanto que os idosos deverão ser 22,71%.

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Existem opções para perfis variados


É no engessamento da previdência pública e no momento favorável da economia brasileira que se apóia a expansão dos planos privados de previdência. O diretor regional do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-SP), Fernando Alvarez, entende que há um controle pela Superintendência de Seguro Privado (Susep) para garantir que as seguradoras mantenham um lastro forte para garantir seus produtos.

"Acontecer de falhar um plano de previdência é muito raro hoje", define. Ele comenta que a concorrência de seguradoras no mercado também favorecem a adequação do cliente ao produto que atenda seu perfil.

As principais seguradoras brasileiras, com regionais em Bauru, estão brigando por fatias valiosas de consumidores de seguros e previdências. O corretor, profissional que "corre atrás" do comprador, se beneficia com campanhas das empresas para estimular as vendas.

No final de agosto, uma das grandes no ramo lançou na regional de Bauru a 37ª edição de uma campanha para premiar corretores de todo o Brasil com viagens ao Exterior. O gerente regional desta empresa, Rogério Cunha Carlos, entende que o momento favorece.

A precaução com investimento na previdência privada vive uma corrida também nos segmentos classistas com contabilistas, advogados, dentistas, tabeliões e notários agrupados em fundos de pensão geridos por seus órgãos de classe.

Leandro Mello Fortunato, responsável pelo segmento classista de uma corretora local, frisa que até especialidades médicas, como os integrantes da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, criam fundos de pensão. Também os artistas possuem seu plano, o CulturaPrev, gerido por artistas e a Petrobrás. A novidade será o EsportePrev, para ex-atletas, como jogadores de futebol, lançado no mês passado.

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