Polícia

Mulher é rendida ao lavar calçada

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

Uma manhã que parecia comum se transformou em um pesadelo, anteontem, para a doméstica E.S.B., 29 anos (o nome está sendo preservado para evitar constrangimento). Ela foi surpreendida por três homens quando lavava a calçada da casa onde trabalha, no Jardim Europa, em Bauru. No mesmo dia, três outros roubos contra pessoas que estavam em locais públicos foram registrados em pontos diferentes da cidade.

Segundo informações do boletim de ocorrência registrado na polícia, a mulher contou que lavava a calçada quando três desconhecidos se aproximaram, por volta das 9h50, a renderam e anunciaram o roubo. De acordo com a vítima, nenhum dos três se preocupou em esconder o rosto.

Os ladrões levaram a doméstica para dentro da casa, a amarraram e deixaram-na em um quarto sob a mira de um revólver. Ela contou à polícia que ouviu quando um dos ladrões foi até o portão da residência, provavelmente para fazer a vigia do local, enquanto os outros recolhiam objetos de dentro do imóvel. Foram levadas duas câmeras fotográficas, uma televisão e um notebook.

A vítima estima que os ladrões permaneceram no local por aproximadamente 20 minutos, até que aqueles que estavam no interior da casa perguntaram ao que estava no portão sobre a chegada de um carro. Com a afirmativa o grupo fugiu, deixando a vítima amarrada.

Depois ela conseguiu se soltar e entrar em contato por telefone com seu patrão, que acionou a Polícia Militar. Até ontem não havia informações sobre a identificação ou localização do grupo.

 

Hora e local


O coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), major Flávio Jun Kitazume explica que as pessoas correm maior risco de serem vítimas de roubo em locais públicos em dias, locais e horários específicos. A ação do ladrão que aborda pessoas em praças e ruas não é planejada e se aproveita justamente da desatenção das vítimas.

As ocorrências de roubo, de forma geral, diminuíram na cidade, segundo Kitazume, mas a incidência se mantém justamente na ação contra pessoas em locais públicos.

“O marginal escolhe a vítima porque se depara com ela desatenta, em local e horário que poucas pessoas estão na rua, e leva o que a pessoa tem naquele momento”, afirmou o coordenador. Um exemplo são as quartas e sextas-feiras na região sul da cidade, próximo ao shopping, entre 20h e 22h.

“É sabido que na região entre a avenida Nações Unidas e (a alameda) Octávio Pinheiro Brizola há incidência, porque muitas pessoas vão para aquela região à pé. No horário das 20h às 22h tem grande concentração de pessoas saindo e chegando”, explica.

A PM usa esses dados para definir sua estratégia de ação. “Nós fazemos um levantamento das incidências, depois o perfil do autor e reforçamos o patrulhamento”, afirma o major.

O celular, que se tornou moeda de troca para usuários de droga, é o principal objetivo desse tipo de ladrão. Por isso, a polícia tem trabalhado para identificar pontos de receptação desses equipamentos e pessoas que se especializaram no desbloqueio. Além de comunicar o roubo, Kitazume orienta para que as vítimas peçam o bloqueio de celulares roubados, já que para desbloquear, o técnico tem que manipular o aparelho. “Para fazer isso eles têm que apagar algumas informações do aparelho e isso ajuda a identificar receptadores”.

 

Outros roubos

Ainda na segunda-feira, durante a noite três outros roubos foram registrados contra pessoas que caminhavam pelas ruas de Bauru. O primeiro ocorreu por volta das 21h30, na rua Machado de Assis. A vítima, M.J.A.S., 30 anos, relatou no boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil que foi abordada por cinco homens, um deles aparentando ser adolescente, todos armados de facas. Eles anunciaram o roubo e levaram sua bolsa, com dois celulares dentro, documentos pessoais e cartões bancários. O grupo fugiu em direção ao Parque Vitória Régia.

No segundo roubo, o garçom G.R.C., 30 anos, foi parado por três homens na avenida Nuno de Assis, no bairro Beija Flor, por volta das 22h30. Um deles estava com uma faca e após agredirem a vítima, levaram sua carteira com R$ 300,00 e documentos pessoais. O garçom teve que ser levado ao Pronto-Socorro Central devido às agressões.

O outro roubo foi na rua Francisco Alves, no bairro Bela Vista. Luiz G.F., 31 anos, foi abordado por um desconhecido armado de revólver, aparentemente calibre 38, que levou seu relógio de pulso, celular Iphone, documentos pessoais e R$ 20,00. O ladrão fugiu em uma moto Honda, com a placa encoberta.

 

Defesa

O especialista em defesa pessoal Raimundo Nonato de Abreu Moura, faixa preta em karatê e instrutor de krav-magá reforça a importância das pessoas estarem atentas ao que se passa a seu redor e escolherem sempre o caminho mais movimentado. Cuidados com objetos pessoais, como bolsa, relógio, joias e celulares também devem ser constantes.

“A observação é muito importante, mas a pessoa deve disfarçar, ao máximo, objetos de valores e evitar andar em determinados lugares com eles à mostra”, explicou.

Segundo Nonato, tanto pessoas vítimas de roubo quanto quem teme ser roubado procura sua orientação para desenvolver técnicas de defesa pessoal.

O krav-magá, na definição do instrutor, não é uma luta de competição. “Mas, para a pessoa se manter viva na rua em qualquer situação de risco”, define.

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