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Dr. Automóvel: Mais perguntas de leitores

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Esta semana recebi diversas mensagens via e-mail e contatos, com perguntas de interesse geral. Passo às duas primeiras, as restantes ficam para a semana que vem.

Nosso amigo e colaborador do JC Marcelo Ferrazolli mais uma vez nos brinda com uma boa pergunta: "- Gostaria que nos falasse sobre os efeitos da maresia nos carros e se resolve passar óleo de mamona para evitá-la, além dos cuidados a tomar para evitar estes efeitos da maresia."

Vamos lá, Marcelo: a maresia é, na verdade, uma fina névoa úmida e salgada que vem do mar e que causa a corrosão de objetos metálicos. Um carro muito exposto à maresia corre um sério risco de enferrujar e apodrecer, assim como quaisquer outros objetos metálicos em uso no litoral como cadeiras de praia, guarda-chuvas e ferramentas.

Todo carro moderno, como já expliquei anteriormente, recebe uma proteção antiferrugem nas chapas da carroceria através de um mergulho em tinta de fundo, em um processo conhecido como cataforese ou pintura eletrostática cataforética. Por sobre esta camada protetiva é que vem a tinta de acabamento propriamente dita, com a base e o verniz.

Esta proteção superficial é mais do que suficiente para proteger o carro de maresia, visto que na montadora o processo de pintura passa por um teste conhecido como "salt spray" ou literalmente pulverização salgada, o qual simula uma maresia muito mais forte do que a normal e que acelera o processo de corrosão em teste. Se o processo de pintura da carroceria passar por este teste, ela aguentará bem as intempéries.

Mas na prática, o que acontece é que a carroceria de um carro normal tem alguns riscos, batidinhas de pedra ou amassados na pintura que podem expor a chapa aos efeitos da maresia sem a proteção da camada de tinta, aí surgindo uma ferrugem pontual. Esta ferrugem pode se alastrar ou ficar contida, dependendo do tipo do dano.

Pensando no fato de ser mais comum raspar a parte de baixo do veículo, alguns motoristas costumam borrifar óleo de mamona no chassi, que é um protetivo temporário mas não de todo eficiente. Acontece que o óleo vegetal segura a poeira e areia da praia e sai facilmente com água de chuva ou empoçada, perdendo seu efeito protetor. Mas é, sem dúvida, um bom e barato meio provisório de proteger a parte baixa do carro durante as férias, só que na volta é recomendado lavar bem o veículo e retirar esta camada de óleo para não reter sujeira.

Para a carroceria, o ideal é retocar todo risco e batida de pedra antes da viagem e aplicar uma boa camada de cera de carnaúba para proteger a pintura. Não deixar acumular muita sujeira, lavar constantemente sem esfregar muito durante a viagem e dar uma bela lavada geral com nova aplicação de cera quando voltar. Lembre-se que sujeira acumulada retém umidade e pode riscar a pintura, o que facilita a ação da maresia sobre a chapa.

Já meu amigo Uriel de Almeida me indicou outro colega seu da Receita, o Eraldo, para que me trouxesse sua bela picape Brasinca Passo Fino ano 1988 simplesmente impecável, motor diesel, para ajudar a localizar uma vibração que emitia um barulho chato quando rodava. Expliquei a ele que toda vibração é proveniente de algo solto ou mal preso, que permite que vibre em determinada frequência que gera um som audível. Portanto começamos a procurar por algo similar na região de onde ele achava que vinha o barulho. Logo de cara detectamos uma pequena janela de ventilação do lado externo da capota, peça feita de plástico e presa por 6 parafusos soberbos, que aparentava estar empenada. Ao bater com os dedos sobre ela, o ruído emitido era bem parecido com o que ele ouvia de dentro do carro. O motivo do barulho era o fato da peça não estar bem apoiada na base devido ao seu empenamento e, quando apertada pelos parafusos, permitir que parte da tampa ficasse batendo na base com a vibração natural do veículo (lembre-se que é diesel). A solução encontrada foi a de retirar a tampa, colocar uma camada de material fonoabsorvente (borracha, cola de silicone ou feltro), reapertar novamente e, se necessário, acrescentar mais um parafuso na região do empenamento, de modo a firmar bem a peça sobre a base. Este caso ilustra bem uma infinidade de causas de ruídos chatos dentro do carro, que podem ser solucionados com um pouco de raciocínio, paciência e jeito.


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