A sexta-feira vai ser de festa nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Em maior ou menor escala, todas preparam eventos para marcar os 1.000 dias para o início do Mundial. Um olhar mais atento, porém, aconselha que os foguetes sejam soltos com moderação. Ainda há muito por fazer para deixar o Brasil apto a receber as melhores seleções do planeta e seus milhares de torcedores.
O governo brasileiro divulgou nesta quarta um balanço da preparação do País. O tom, como manda tais ocasiões, foi otimista. Apesar disso, há preocupação. A principal é com as obras de mobilidade urbana. Mas aeroportos, portos e até mesmo alguns estádios não atingiram a velocidade desejada.
É fato que todas as arenas já estão em construção ou reforma. O ritmo é que não é uniforme. Se há casos como o do Mineirão, em Belo Horizonte, que proclama ter 80% da terraplenagem concluída, bem como 40% da fundação externa e 70% da interna - o cronograma está sendo obedecido e esse foi um dos fatores que levaram a Fifa a escolher a cidade para receber o evento oficial dos 1.000 dias; o outro é o bom estágio das obras de mobilidade -, também tem quem ainda engatinhe, como a Arena das Dunas, em Natal.
Mesmo assim, o governo mantém a previsão feita pela presidente Dilma Rousseff há duas semanas, de que nove estádios serão entregues até o final do próximo ano. Um ritmo que cresceu bastante é o de viabilização da linha de crédito do BNDES para as arenas. No balanço desta quarta, foi destacada a assinatura de contratos no valor de R$ 2,3 bilhões.
Tudo indica que os trabalhos nas arenas serão acelerados. Não há essa garantia, pelo menos no momento, em relação às intervenções de mobilidade urbana, em um total de 49. O governo federal considera que só cinco cidades iniciaram as obras - Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Cuiabá e Recife. Mas diz ter à disposição R$ 30 bilhões como combustível para que tudo seja concluído a tempo. Se os prazos serão cumpridos, porém, é uma incógnita.
O custo da Copa do Mundo, aliás, é outra incerteza, pois os cálculos variam de acordo com quem os faz. O Portal da Transparência, por exemplo, estima que serão gastos R$ 23,4 bilhões. Em rota oposta, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Addib) sustenta que a conta não ficará menor do que R$ 112 bilhões. O controle dos gastos parece difícil. Mas há maneiras de fiscalizar. Uma delas é recorrer à internet. São vários os portais que vigiam a Copa. O próprio governo vai lançar o seu nesta sexta.