Economia & Negócios

Bauru é campeã em emprego industrial

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto o ritmo no setor da construção civil desacelera na cidade, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) divulgou ontem que a diretoria regional de Bauru foi a que apresentou o maior nível de emprego industrial no Estado em agosto.

Composta por 17 municípios, a regional da entidade apresentou variação de 2,18% no volume de empregos gerados no último mês, o que significou acréscimo de aproximadamente 550 postos de trabalho.

Atrás de Bauru aparecem as regiões de Santos, com saldo de 1,6% entre contratações e demissões, Jacareí (1,4%), Cubatão (1%), Rio Claro (0,6%), Matão (0,5%), Jaú (sem variação), Botucatu (-0,5%) e Marília (-1,36%). Das 36 diretorias regionais do Ciesp, apenas 12 registraram variações positivas.

No ano, Bauru obteve até agora um índice acumulado de 3,87%, o que representou acréscimo de aproximadamente 950 vagas de emprego. Neste ranking, a região figura na 15ª posição. Nos últimos 12 meses o acumulado é de 4,02%, implicando na geração de aproximadamente 1 mil novos postos de trabalho.

O índice total de emprego industrial da diretoria regional do Ciesp em Bauru foi fortemente influenciado pelas variações positivas dos setores de veículos automotores e autopeças (que aumentou a oferta de vagas em 10,28%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,89%), produtos alimentícios (1,46%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (0,24%).


Construção civil


Pelo sexto mês consecutivo, o setor da construção civil registrou redução de postos de trabalho com carteira assinada em Bauru. Em agosto deste ano, o saldo foi de 971 vagas a menos, com 627 contratações e 1.598 demissões, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A variação negativa de 7,72% em um único mês - a maior do ano incluindo todos os segmentos da economia local - confirmou o desaquecimento do ramo imobiliário, após cinco anos de franca expansão.

Para Renato Parreira, diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) em Bauru, o fenômeno não passa de um ajuste na oferta de vagas de emprego no setor, que vivenciou um crescimento notável de 71,62% em 2010.

"Não há uma desaceleração com a qual tenhamos de nos preocupar. Na verdade, estamos voltando a um patamar de normalidade, que se contrapõe ao inchaço dos períodos anteriores. Estamos voltando a um equilíbrio, a números mais próximos da realidade", justifica.

De fato, mesmo com sucessivos resultados negativos desde março de 2011, o nível de emprego permanece estável nos últimos 12 meses, graças ao desempenho excepcional registrado no ano passado. De acordo com o Caged, de setembro do ano passado a agosto deste ano, foram 10.066 contratações, ante 10.165 demissões.

A preocupação agora, reside em prever como o nível de emprego do setor se comportará nos próximos meses. Com a redução do acesso ao crédito como medida governamental para combater a inflação, a perspectiva é que menos pessoas se sintam seguras para contrair dívidas de longo prazo, geralmente necessárias para a aquisição de imóveis.

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Rotatividade


Outro fator de alerta no setor da construção civil é que muitos empreendimentos imobiliários erguidos no ano passado, e que ocuparam extensa mão de obra, foram ou estão sendo concluídos agora, o que poderá deixar grande parte deste contingente de trabalhadores ociosos. Especialistas, entretanto, argumentam que a rotatividade no setor é grande e aqueles que tinham carteira assinada acabam migrando para a informalidade e não costumam ficar sem trabalho.

"Prova de que a construção civil continua crescendo é que as vendas de cimento avançaram 7% neste mês. O setor ainda é muito forte, embora esteja desinchando", defende Renato Parreira, diretor do Sinduscon em Bauru.

Além do ramo imobiliário, apresentaram queda na oferta de empregos, em agosto, a agropecuária e os serviços industriais de utilidade pública, que englobam, por exemplo, atividades médicas e odontológicas. No acumulado do ano, o setor de serviços foi o que mais gerou novas vagas de trabalho em Bauru, com saldo de 4.980 postos, seguido pela indústria e o agronegócio.

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