Economia & Negócios

Correios garantem serviços na greve

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 5 min

Em greve desde ontem, funcionários dos Correios associados ao Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares (Sindecteb) devem manter o período de paralisação em Bauru por tempo indeterminado, seguindo o ritmo das demais paralisações em todo o País. Ontem, em Brasília, o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, informou que a empresa mantém a entrega diária de cartas e encomendas, embora exista a possibilidade de atrasos devido à paralisação.

Em Bauru, uma assembleia na tarde de ontem definiu que será mantido hoje o estado de greve deflagrado em 34 dos 35 sindicatos brasileiros.

Segundo o presidente do Sindecteb, José Aparecido Gimenes Gandara, em números, cada dia de greve reflete em prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres da empresa.

Há oito meses buscando negociação com os sindicalistas, os Correios assinaram dois acordos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) - sendo um relativo a 2010, já pago, e outro da PLR 2011, que será paga no próximo ano e terá uma parcela antecipada para dezembro.

Em nota, a assessoria de imprensa afirma que "a empresa ainda realizou concurso público para quase 10 mil trabalhadores - mais de 2 mil já foram contratados e o restante estará trabalhando até novembro".

De acordo com o presidente do Sindecteb, a proposta de reajuste salarial da empresa não atende às expectativas dos funcionários. "Vamos manter a proposta inicial de reposição da inflação desde 1994, que deve girar em torno de 24% dando um reajuste linear (para todos os cargos) de R$ 200,00". Hoje, o piso da categoria é de R$ 800,00 para oito horas de trabalho.

Ontem, por volta das 14h, Gandara, sindicalistas e funcionários estiveram novamente em frente ao Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas (CTCE) do Distrito Industrial 1 para incentivar a adesão à mobilização que atingiu cerca de 90% dos funcionários em Bauru.

"Apenas os funcionários do administrativo não aderiram à greve. Mas ainda assim, alguns estão apoiando nosso movimento", afirmou.

Há quase 15 anos trabalhando como carteiro, Marcelo Antevere, 33 anos, afirma que a greve foi o último artifício encontrado pela categoria para tentar garantir suas reivindicações. "Acho que esta greve poderia ter sido evitada se a empresa atendesse as reivindicações dos funcionários. Sabemos que esse tipo de paralisação atrapalha muito a empresa e também toda a população que sempre teve confiança nos Correios".

Segundo o funcionário, a falta de mais trabalhadores acabou sobrecarregando o efetivo atual e dificultando o trabalho tido como exemplar da empresa. "Faz dois anos que não temos um acordo coletivo. Trabalhamos dobrado em feriados, finais de semana, fazendo hora extra em cima de hora extra e sequer temos tempo para a família. Se não fosse nosso trabalho de ?condenados?, a empresa já teria falido antes. Esperamos dignidade e justiça".


Serviço mantido


Durante entrevista coletiva realizada em Brasília, o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, conclamou os trabalhadores a encerrar a paralisação, frisou que a retomada das negociações sobre o acordo coletivo está condicionada ao retorno às atividades e que haverá desconto dos dias parados.

O executivo destacou os benefícios da proposta que a empresa havia feito na segunda-feira - que representava aumento salarial final de 13% para 64.427 empregados, ou seja, 60,14% do efetivo total da empresa. Com a paralisação, a proposta foi retirada.

"Na conjuntura atual, em que existe uma preocupação com a crise financeira internacional, entendemos que um reajuste de 13% no piso salarial é bastante relevante. Só podemos lamentar a decisão e chamar os trabalhadores a retornar para as atividades".

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Prazo para pagamento de boletos


Além do atraso em correspondências comuns e no uso do serviços do sedex, a população também pode ser afetada com as cobranças não recebidas devido à greve dos Correios. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), não haverá prorrogação de prazos de pagamentos, já que as datas de vencimento são determinadas pelas concessionárias de serviços públicos e empresas emissoras dos boletos.

Em nota, a Febraban sugere alguns procedimentos para evitar transtornos por causa do não recebimento de boletos bancário em decorrência da paralisação dos Correios. Segundo a agência que representa os bancos no País, "é importante o cliente identificar os pagamentos recorrentes mensais, ou aqueles eventuais que poderão incidir no período da paralisação". A partir disso, "os clientes devem procurar as agências das concessionárias ou empresas emissoras dos boletos e solicitar a segunda via da cobrança para efetuar o pagamento".

A Febraban ressalta ainda o serviço de débito direto autorizado (DDA) que, disponível desde 2009, elimina a necessidade do boleto impresso.

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População critica


A reportagem do JC foi às ruas e constatou o medo da população com possíveis atrasos nas entregas e dificuldades de comunicação com a recente paralisação dos Correios. Claudete Clarindo Atanazio, 32 anos, auxiliar de coordenação de um colégio, destaca a importância dos serviços prestados pela empresa e os danos que a greve pode causar nos estabelecimentos de ensino.

"Trabalho em um colégio e dependemos do serviço de entrega dos Correios para receber as apostilas. Um ou dois dias de atraso já representam uma perda para nosso controle".

Já o funcionário público aposentado Jaime de Freitas Caires, 78 anos, se diz revoltado com a nova paralisação dos Correios. "Isso (greve) é um absurdo. Imagine quanta coisa pode ficar parada por aí, quantos documentos importantes que não vão chegar em seu destino. O serviço dos Correios é essencial".

Bancário durante muito tempo, Elcio Catalano, 49 anos, conta que conviveu com algumas greves e aponta o que considera equivocado por parte dos que protestam por melhorias na categoria. "Na verdade, nesse tipo de movimento os grevistas só pensam em seu próprio umbigo, e não estão nem aí para os outros".

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