Turismo

Los Cabos

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

O trecho que visitamos faz parte do imenso Deserto de Sonora, que se estende até a fronteira com os Estados Unidos. Na Baja California Sur, é chamado Deserto de San Cristovan. Por ali, em uma fazenda de mesmo nome, a Cabo Adventures (e seu divertido guia, Federico Torres) leva os visitantes a um didático passeio, de cerca de uma hora, pelas terras áridas mexicanas. Quem não quiser andar pode fazer o passeio de quadriciclo ou a cavalo.

Surpreendentemente, o calor por ali não é abrasador, por causa dos ventos vindos do Pacífico, embora chapéu, óculos escuros e filtro solar sejam itens básicos. No tour, somos apresentados ao famoso agave azul, planta com a qual se faz a tequila.

E também a cactos que, dizem os cientistas e reforça Torres, têm mais de 250 anos. Pelo diâmetro do tronco de alguns desses cactos, não há como duvidar disso. Aos poucos a paisagem vai sendo desvendada e chegamos à conclusão de que ela não é tão árida assim: há frutas comestíveis, água dentro dos cactos, pássaros, pequenos répteis, esquilos e camelos.

Camelos? Sim, importados diretamente do Deserto do Saara pela Cabo Adventures (juntamente com um autêntico beduíno, que veio como cuidador oficial dos animais) para proporcionar aos turistas um sacolejante passeio em cima de seus lombos. Uma pequena volta, de no máximo 20 minutos, que começa no deserto, passa pela praia e retorna ao ponto de origem. O suficiente para contar aos filhos e netos que um dia você já andou de camelo. Mais do que isso é exigir demais da coluna e de toda sua estrutura óssea e muscular. Fique atento, porém, ao preço salgado que a empresa - que proíbe o uso de máquinas fotográficas durante o trajeto sobre os animais - cobra ao fim do passeio: US$ 35 por foto. Melhor ficar na lembrança.

Ao fim do tour pelo deserto, chegamos a um rancho mexicano onde nos espera, antes do almoço típico, uma aula de tortillas - aquela massa em forma de disco na qual os mexicanos acrescentam os mais diferentes e apimentados recheios, feita puramente de milho branco, sem adição de farinhas.

Os grãos de milho são colocados numa pedra e moídos até formarem uma pasta que, moldada com as mãos, transforma-se na tortilla, que será assada numa chapa de ferro. Depois, basta recheá-la com frango ou carne condimentados, bem à moda mexicana, ou com a deliciosa guacamole. E esquecer a dieta.

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Tequila autêntica? Só a produzida com agave azul


"Arriba, abajo, al centro, adentro!" Este é o brinde mexicano, que vai ficando cada vez mais empolgado conforme o teor alcoólico aumenta e se dissemina pelo cérebro. Afinal, estamos em uma aula de tequila com o estudioso Oliver Chong, que se autodenomina aficionado na bebida.

Ele começa nos contando a história do drinque mais famoso do México - cujo nome, em espanhol, é substantivo masculino, enquanto em português é feminino - e como identificar, em primeiro lugar, a sua autenticidade.

Só pode ser chamado de tequila o destilado produzido exclusivamente com a planta agave azul, extraída de áreas específicas do Estado de Jalisco. Já o mescal, outro destilado mexicano que começa a entrar na moda - já há algumas mezcalerías espalhadas pelo mundo, normalmente localizadas em bairros descolados - também é feito de agave, de outro tipo que não o azul.

Chong explica, ainda, que o México dispõe de pelo menos 280 espécies da planta, a maior parte na região de Jalisco. "O agave azul é cultivado e espera sete anos para ser colhido e usado na produção de tequila, que pode ter de 35% a 50% de teor alcoólico", diz ele.

Para identificar a bebida autêntica, comece observando, na garrafa, se há o selo do Consejo Regulador del Tequila (Conselho Regulador de Tequila). No site www.crt.org.mx há uma imagem do selo e todas as informações que devem constar no rótulo, além de notícias atualizadas sobre o mercado de tequila, entrevistas, estudos e muitas curiosidades.

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Ritual


Devidamente munido do copo certo para degustar tequila, pequeno e estreito, chamado por lá de caballito (cavalinho), comece a provar as variedades.

A extra añeja passa um período mínimo de cinco anos repousando em barris de carvalho, segundo explica Chong. A añeja fica, em média, de um a três anos descansando nos barris. Outro tipo da bebida, a reposada, espera entre dois meses e um ano; e a tequila branca é destilada e engarrafada logo em seguida.

"O sal e o limão devem estar a postos", alerta Chong. O ato de beber segue um ritual. Anote o passo a passo: tome um gole de tequila, e em seguida chupe levemente uma fatia de limão com um pouco de sal. "Se quiser, pode-se tomar, em seguida à tequila, suco de tomate, alternadamente", ensina.

Quanto às marcas, Chong informa que há 1.250 companhias fabricantes de tequila no México. Ou seja, são inúmeras e os preços variam bastante.

Para ilustrar, o instrutor cita um exemplar da marca José Cuervo - bastante conhecida no Brasil - produzida há 150 anos. "Ela ficou sete anos em barris de carvalho e será envasada em breve. A previsão é a de que cada garrafa custe US$ 3 mil."

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