Tribuna do Leitor

AMOSTRAS DE PLANTAS DO CERRADO


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Foi ótimo o evento promovido pelo Sesc, dias 10 e 11 de setembro, em comemoração ao Dia do Bioma Cerrado. O Vidágua fez uma belíssima exposição de plantas, cujo potencial é pouco conhecido: folhas, frutos, sementes, mudas, fitoterápicos, cosméticos e também degustação de doces e salgados, divulgando o potencial nutricional. Iniciativa assim está faltando em nossa cidade. É hora de resgatar o conhecimento empírico da cultura popular, legado de nossos povos indígenas, caboclos e colonizadores, chamar as práticas, raizeiros e erveiros, profundos conhecedores de plantas, raízes, folhas e frutos, no sentido de desvendar o poder oculto das plantas do bioma cerrado. A iniciativa serve como exemplo para segmentos da sociedade civil organizadas, associações, escolas, universidades, igrejas, diocese e outros, para debater sobre as potencialidades das plantas do bioma. Pesquisas e literaturas que falam do aproveitamento alimentar das plantas não faltam, o que falta é a aproximação da população no sentido de se conhecer cada vez mais e reaproveitar mais e de forma in natura.

Foi bonito ver pessoas relembrando a infância e sua convivência com a gabiroba, o jambo, o jatobá, o marolo, a macaúba, o pequi e outras, frutas que na infância comia-se em abundância. Não é saudosismo relembrar tais fatos marcantes. Tais frutas faziam parte de nosso cotidiano alimentar, não é saudosismo lembrar, não era comum tantas patologias na infância. O que mudou? Foram as plantas? Ou a forma de alimentar-se, praticidades, fast food, desenvolvimento: o que estamos pagando? Patologias em alta, consumo de medicamentos. Lutar pela preservação do cerrado, pela causa da nova lei é importante, no sentido de vigiar possíveis flexibilidades dela, mas é nobre lutar por sua vida e sobrevivência, ameaças são constantes, desmatamentos, queimadas, expansão urbana, aliados a fatores edáficos, climáticos, dormências de sementes, ausência de fauna dispersora. Germinar sementes, produzir mudas, cultivar é nossa missão, afinal, vivemos e coabitamos no mesmo ambiente. Parabéns Vidagua, continue na missão de despertar a consciência do valor nutricional das plantas do bioma cerrado, que uma vez extinto será a perda de um patrimônio jamais recuperado.


Antonio Cícero de Oliveira

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