Arquivo/Quioshi Goto |
|
|
Doada em 1995, a extensa área no fim da Nações Norte foi devolvida ontem à prefeitura |
Na tarde de ontem, a Universidade Sagrado Coração (USC) formalizou a devolução para a Prefeitura Municipal de Bauru um terreno de 120 mil metros quadrados no fim da avenida Nações Norte que havia sido doado para a instituição há mais de 15 anos. Na época, o terreno foi doado para a construção de um conjunto policlínico. Após a USC pleitear alteração no projeto para construir, além das clínicas, uma expansão do câmpus no local e o projeto ter ficado estacionado na Câmara de Vereadores desde fevereiro deste ano, a instituição desistiu da área e vai levar a construção para a cidade vizinha Agudos (13 quilômetros de Bauru).
A doação do terreno foi feita por meio de um projeto de lei em 1995 pelo então prefeito Tidei de Lima. Na época, a USC tinha prazo de seis meses para começar a construir um conjunto policlínico na área doada. Entretanto, sem a Nações Norte, a universidade pediu a prorrogação desse prazo alegando falta de acessos adequados.
Mediante a essa justificativa, em 2000, o prazo foi alterado e a instituição teria que começar as obras após seis meses da inauguração da avenida Nações Norte, o que ocorreu em junho deste ano.
Entretanto, em fevereiro, a USC pediu alteração no projeto inicial da construção das policlínicas. “Além desse conjunto policlínico, iríamos utilizar a área, que é muito grande, para expandir nosso câmpus, estimulando a filantropia e o fomento à educação, inclusive com a criação de novos cursos e o desenvolvimento dos já existentes”, explica a reitora da USC, a irmã Susana de Jesus Fadel.
Entretanto, como o terreno foi doado com a finalidade específica da construção do conjunto policlínico, seria preciso uma alteração na lei para que as alterações pleiteadas pela instituição fossem contempladas. O projeto novo foi levado no começo deste ano ao prefeito Rodrigo Agostinho, que concordou e enviou para a Câmara de Vereadores analisar.
O pedido foi encaminhado com urgência ao Legislativo e protocolado em 23 de fevereiro. Entretanto, até ontem, não houve qualquer resposta, o que, segundo a reitora da USC, foi decisivo na devolução do terreno. “Nós temos nosso planejamento. Temos necessidade de continuar com os nossos planos. Então, resolvemos devolver o terreno que havia sido doado e consolidar esse projeto em Agudos, em uma área já pertencente ao Instituto (das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus)”, completa a irmã Fadel.
Parado
Questionado sobre o motivo de o projeto ter ficado parado por cerca de sete meses, o presidente da Comissão de Justiça, Legislação e Redação da Câmara Municipal de Bauru, o vereador Marcelo Borges, alega que é justamente pelo interesse do município.
“O projeto realmente ficou parado lá. Pedimos mais informações. Se fosse do interesse do município, estaria sendo votado. É interesse do município doar um terreno desses para a USC? Não. Por isso ficou parado”, argumenta o vereador, que avalia a área em R$ 20 milhões.
O prefeito Rodrigo Agostinho, entretanto, diz que estava “animado” com o projeto da USC e, por isso, lamenta o que ocorreu. “Fiquei chateado com o que aconteceu. Tentei, de toda maneira, demover a USC dessa decisão, porém, eles foram irredutíveis. Eles tinham um projeto bom e, pelo que vi, bastante centrado na engenharia. Bauru tem uma vocação universitária e seria muito bom na questão da formação de mão-de-obra qualificada”, lamenta o prefeito.
Em nota, a USC realmente confirma que o projeto, que agora vai para Agudos, contempla áreas de engenharia agronômica, tecnologia sucroalcooleira, engenharia sanitária, entre outros. A instituição ainda reafirma seu compromisso com Bauru, afirmando que continuará com as atividades já existentes na cidade.
Universidade federal
“Recebemos um limão e temos que fazer uma limonada”. Foi essa a metáfora que o prefeito municipal Rodrigo Agostinho usou para designar o que foi para ele a devolução do terreno doado para a Universidade Sagrado Coração (USC). E, para ele, a “limonada” pode ser até mesmo a utilização da área para a futura universidade federal.
“Iremos fazer uma análise topográfica para ver o que sobrou do terreno. Creio que, com a construção da avenida Nações Norte, a área perdeu uns 20 mil metros quadrados”, explica o prefeito.
Após essa análise, será decidido o que será feito com terreno. “Pode ser construído um equipamento público, como uma extensa área de lazer e esportes, ou até mesmo servir para o câmpus da universidade federal. Vai ser preciso analisar a partir de agora”, completa.
A universidade federal foi pleiteada em 2009 pela vice-prefeita Estela Almagro (PT) e a então secretária de Educação Majô Jandreice. No mês passado, a presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciaram a abertura de oito novos câmpus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) como parte do projeto de expansão da Rede Federal de ensino. Um deles foi confirmado em Bauru.
