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O Calçadão de Bauru e a Teoria das Janelas Quebradas

Vitalino Luz Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

A teoria das janelas quebradas é fruto da imaginação dos criminologistas James Q. Wilson e George Kelling.  Os dois argumentaram que o crime é o resultado inevitável da desordem. Se uma  janela está quebrada e não é consertada, quem passa por ali conclui que ninguém se importa com aquilo e que  não há ninguém no controle. Em breve, outras janelas aparecerão quebradas, lixeiras serão incendiadas, lixo espalhado pelo chão, as flores dos vasos e canteiros não serão mais regadas. A anarquia se espalhará do prédio para a rua, enviando a mensagem de que vale tudo. Problemas relativamente insignificantes, como pichação, desordem em locais públicos, urinar nos cantos dos muros e mendicância agressiva, são o equivalente das janelas quebradas. O convite para crimes mais graves.

Na década de 1980, a cidade de Nova York vivia uma epidemia de crime, a cidade atingiu uma média anual superior a 2 mil as-sassinatos e 600 mil crimes graves. Nos espaços subterrâneos, no metrô as condições eram caóticas. As plataformas eram mal iluminadas, as paredes eram escuras, úmidas e pichadas. Nesse tempo, os 6 mil vagões da Transit Authority eram pichados de cima a baixo, por dentro e por fora. O calote na roleta era tão comum que estava dando à transit Authority um prejuízo de U$$ 150 milhões por ano. O-corriam cerca  de 15 mil  delitos anuais graves no sistema metroviário.

Em meados da década de 80, Kelling foi contratado pela New York Transit authority como con-sultor e insistiu que colocassem  em prática a teoria das janelas  quebradas.  Um projeto de bilhões de dólares   foi elaborado para reconstrução do sistema metroviário.  Muitos defenso-res do metrô  disseram na época para que ele não se preocupasse com  as pichações, que se concentrasse nas questões mais importantes relacionadas com o crime e a confiabilida-de desse meio de transporte.  Mas Kelling insistiu "As pichações são o símbolo do colapso do sistema".  Era preciso vencer a batalha contra  as pichações.

Na década de 1990, William Bratton foi contratado pela Transit Authority para chefiar a polícia de trânsito. Bratton  era  um seguidor da teoria das janelas quebradas. Ele resolveu acabar  com a viagens de graça, daquele momento em diante ninguém mais pularia as catracas burlando o sistema. Quem tentasse pular as roletas seria preso pelos policiais à paisana nas roletas. A equipe pegava os caloteiros um a um, algemava-os e deixava-os de pé na plataforma. A ideia era mostrar, da forma  mais pública possível, que a polícia de trânsito estava falando sério e ia agir com rigor no caso dos espertinhos que tentavam viajar de graça.

Precisamos colocar em prática a teoria das janelas quebradas na gestão do calçadão comercial da cidade de Bauru. Observo com preocupação as condições em que ele se en-contra nesses últimos tempos. As pedras do calçamento estão encardidas, há muito tempo não são lavadas. Quando aparece um burraco a solução simplista é colocar um dos vasos de flores dentro do burraco para que ninguém caia e se fira.  Eu  mesmo tenho fotos no meu celular de um desses vasos que está há mais de uma semana na quadra 3 do calçadão. No último Dia dos Pais, em que se estendeu o horário  comercial  do calçadão, a iluminação era uma penumbra.

Devemos perguntar a nós mesmos qual a importância do calçadão para a cidade de Bauru e região? Assim como a cidade de Nova York fez com relação ao seu sistema metroviário. Hoje o metrô de Nova York, graças à aplicação da  teoria das janelas quebradas, tornou-se um exemplo de boa administração pública. Vamos fazer o mesmo com o nosso calçadão, vamos recuperar a importância que ele tem para Bauru e  região. Devemos consertar, recuperar as janelas quebradas enquanto são apenas janelas. Do contrário isso irá crescer como um fermento. Criar barba. Como diz o ditado, será o caminho para decadência. Eu tenho a certeza de que a população  de Bauru  e região  não quer isso. Queremos  sim a tão prometida revitalização do nosso centro comercial, que até agora ficou somente no papel e em belos desenhos nas páginas de nossos  jornais. 

O autor, Vitalino Luz Jr., é colaborador de Opinião

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