São Paulo - Em entrevista coletiva em São Paulo, ontem, o dalai-lama Tenzin Gyatso rejeitou a existência de um diálogo entre a ciência e a religião e defendeu a importância do respeito mútuo entre as diferentes crenças. "Precisamos separar as coisas das ciências das coisas da religião. Não existe diálogo entre ciência e budismo", disse o líder tibetano.
"Todas as religiões pregam a mesma coisa: amor, compaixão, piedade. É bom que existam várias religiões, mas todas têm que tentar se entender melhor, e não virar uma fonte de ódio uma para a outra", acrescentou o líder tibetano.
Como exemplo, ele falou sobre um amigo australiano que é pastor e costumava dizer que (o dalai lama) era um "bom cristão". "Eu dizia a ele que ele também era um bom budista. Todas as crenças se baseiam nos mesmos valores, todas as religiões têm livros sagrados e, antes de criticar, temos que conhecer os preceitos."
O líder tibetano está lançando um livro sobre o budismo, que ainda não foi traduzido para o português.
O dalai-lama conversou com médicos e neurocientistas, comentando as pesquisas que mostram os efeitos das práticas contemplativas no cérebro.
Na sessão com jornalistas, o líder espiritual tibetano respondeu perguntas que, conforme combinado com a organização do evento, foram sorteadas na hora.
Perguntado se o mais importante era a preservação do ambiente ou a harmonia entre povos, respondeu com uma pergunta: "O que é mais importante, comer ou beber? Os dois são importantes."