Internacional

ONU reconhece governo interino líbio

Folhapress
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Nações Unidas -A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou ontem uma solicitação do governo interino da Líbia para considerar os seus enviados como os únicos representantes líbios no organismo mundial, na prática reconhecendo o Conselho Nacional de Transição (CNT).

A assembleia de nações aprovou a solicitação com 114 votos favoráveis, 17 contra e 15 abstenções. O Brasil votou a favor, informou o Itamaraty. Autoridades da ONU disseram que o embaixador líbio nas Nações Unidas, Abdurrahman Shalgham, deverá manter o posto como o principal diplomata de Trípoli na ONU.

A deserção do vice de Shalgham, Ibrahim Dabbashi, para o campo rebelde em fevereiro de 2011 inspirou dezenas de diplomatas líbios em todo o mundo a denunciar a repressão violenta promovida pelo líder líbio Muammar Gaddafi contra os manifestantes pró-democracia.

Shalgham acabou seguindo os passos de Dabbashi e uniu-se à causa rebelde, denunciando Gaddafi em um discurso carregado de emoção no qual comparou o líder do país a Hitler e a Pol Pot. Vários países da América Latina criticaram duramente a decisão de reconhecer os delegados do novo governo líbio.

O embaixador da Venezuela na ONU, Jorge Valero, disse à Assembleia-Geral que seu país rejeita "a autoridade de transição ilegítima imposta pela intervenção estrangeira" e qualquer tentativa de transformar a Líbia em um "protetorado" da Otan ou do Conselho de Segurança.

Valero também culpou a Otan e o Conselho de Segurança por não conseguir pressionar por um cessar-fogo em vez da vitória dos rebeldes ante Gaddafi. Parte das forças do antigo líder continua a se opor aos combatentes do novo governo em áreas isoladas do país, que é produtor de petróleo e membro da Opep.

Delegados de Cuba, da Bolívia e da Nicarágua fizeram declarações semelhantes às de Valero.

Falando em nome dos países do sul da África, Angola pediu o adiamento da votação para reconhecer a Líbia, mas sua moção foi derrotada.

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Brasil reconhece novo governo


Brasília -Após a Assembleia Geral das Nações Unidas garantir assento aos rebeldes líbios na ONU, o Brasil reconheceu a legitimidade do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão da oposição ao regime de Muammar Gaddafi.

Ontem, com 114 votos favoráveis, 17 contrários e 15 abstenções, a ONU reconheceu os rebeldes como representantes da Líbia, o que permitirá que o presidente do conselho, Mustafa Mohammed Abdul Jalil, participe de reunião da Assembleia Geral, na próxima semana.

A presidente Dilma Rousseff viaja hoje a Nova York para participar do evento - ela irá abrir o debate na Assembleia, tarefa tradicionalmente realizada pelo chefe de Estado brasileiro.

Em uma nota sucinta divulgada na tarde de ontem, o Itamaraty afirmou que a decisão do colegiado obteve "voto favorável do Brasil". O Ministério das Relações Exteriores resistia em reconhecer a legitimidade dos rebeldes.

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