Frei Galvão é o primeiro santo nascido no Brasil. Foi canonizado pelo papa Bento XVI em maio de 2007. Dotado de vários dons, o frade nascido em Guaratinguetá foi visto por volta do ano de 1810, às margens do rio Tietê, no distrito de Potunduva, onde teria ocorrido o efeito de bilocação - pode ser definida como a presença simultânea de uma pessoa em dois lugares diferentes. Na opinião de moradores da cidade, o fato poderia gerar turismo religioso, o que não acontece atualmente.
Para quem não conhece essa história, vai um resumo. Manuel Portes, que era capataz de uma expedição que vinha de Cuiabá, castigou severamente o caboclo Apolinário, por indisciplina. Assim que o capataz se distraiu, o caboclo o atacou pelas costas com um enorme facão e fugiu.
No auge do desespero, Portes, que era um homem temente a Deus e a Virgem Maria pôs-se a gritar para que Frei Galvão viesse assisti-lo, uma vez que sentia a morte se aproximar. Queria a extrema-unção. Eis que alguém gritou que o frade se aproximava. Segundo testemunhas, o religioso se aproximou do morimbundo e ficou por alguns instantes com a cabeça do capataz sobre o seu colo e ouviu sua confissão.
Em seguida, abençoou o capataz e afastou-se misteriosamente assim como surgiu. Afirma-se que naquele instante Frei Galvão encontrava-se em São Paulo, pregando. Teria interrompido a pregação e pedido que os presentes rezassem uma Ave Maria por um morimbundo.
O professor de história, ex-morador e ex-vereador por Potunduva José Antonio Cavalcante ressalta que o efeito, que para muitos foi um milagre, aconteceu em meio a mata fechada no tempo das monções. “O frei aparece e desaparece misteriosamente no meio da mata fechada, longe da civilização. O registro está na história do santo brasileiro. A bilocação é o fenômeno de estar em dois lugares ao mesmo tempo,” conta o historiador.
“Após a bilocação, o frade diz aos fiéis que estava cansado e que acabara de fazer uma longa viagem. Este contexto histórico religioso unido a história dos primeiros imigrantes europeus que vieram trabalhar e fixar moradia no distrito em meados de 1880 remete a importância do desenvolvimento com a chegada da usina Diamante, hoje Cosan ou Grupo Raizen. Uma multinacional instalada no distrito,” ressalta. Segundo ele, além da usina, Potunduva possui riquezas naturais. “Como a hidrovia e tantos outros nichos que nos faz buscar a emancipação do distrito”. Para o historiador, não foi por acaso que o milagre de Frei Galvão aconteceu em terras do distrito e nem que em meados de 1720 foram descobertos os primeiros sinais de civilização pelo rio Tietê.”
Cavalcante reclama do descaso a que Potunduva está submetida pelo município de Jaú. “O distrito sempre esteve relegado aos últimos planos pela administração de Jaú. Isso motiva os potunduvenses a buscarem a sua liberdade. Sabemos que a luta inicial é difícil, mas Jaú já foi distrito de Brotas e hoje é uma cidade.”
Segundo ele, o processo de emancipação tramita desde 1988 na Assembleia Legislativa de São Paulo e está fundamentado na PEC número 2/10. “Estamos no Grupo Pró-Emancipação da Frente Emancipacionista de São Paulo. Apóiam a causa a sociedade civil, igrejas, instituições, empresas que acreditam que Potunduva precisa caminhar com suas próprias pernas. Queremos preparar a situação para os futuros Potunduvenses.”