Tribuna do Leitor

"J?ACCUSE"


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Turismo é arte, amor à pátria, aptidão, bom gosto, etiqueta e, sobretudo, técnica de administração especializada nesse tema tão em voga e hodierno. Turismo nada tem que ver com festas de confraternizações em... motéis. E por falar em turismo, acabo de ler que "Dilma demite ministro do Turismo" e que o "PMDB apresenta (à presidente) 80 nomes para ocupar a vaga" (sic JC pág.21, 15/9). Entretanto, eu "duvideodó" que um desses oi-tenta indicados tenha pelo menos um dos atributos que acima eu citei. Agora, para arremedar Zé Dirceu, tenho certeza que qualquer um deles tem forte maneirismo. Como há males que vêm para o bem, eis aí ótima oportunidade para a presidente indicar e convocar, patrioticamente, alguém que tenha sido formado em uma boa faculdade especializada, com mestrado e doutorado profissionais e que seja preferencialmente apartidário, ou que então jogue o jogo dos interesses da nação e não dos bolsos de "A, B ou C" e, até mesmo, de "L".

Duvido, também, que dos oitenta deputados federais do PMDB ofertados como mercadorias à presidente Dilma ao menos trinta não apoiassem esse ato corajoso e de respeito de S.Exia.  Acredito, piamente, que toda a oposição aplaudiria a presidente e que, como consequência, ela deixaria de implorar apoios de sua própria bancada e de todos os partidos da situação. Visível e excessivamente perceptível o fato de que Dilma é refém de um Congresso asqueroso e perverso. Essa reação seria uma maneira inteligente e correta de, mais do que de ninguém, livrar-se de Lula e do PT, também. Concretizando-se meu devaneio - estou ciente, sim, que meu desiderato não passa de um oásis imaginário ? estaríamos testemunhando o surgimento do "mensalão" do bem, da dignidade e do resgate de nossa hoje vilipendiada nação.

Como disse Émile Zola em seu artigo "J?accuse", sobre o caso Dreyfus, em 13 de janeiro de 1898, no jornal francês "L?Aurore", repito eu, aqui e agora, ainda no meu inocente devaneio: "Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice."( Meu dever é falar, não quero ser cúmplice). Afinal de contas, de quem é o ministério? Da presidente da República Federativa do Brasil, dos partidos políticos, de Ribamar Sarney, "o diferente"(sic Lula) ou delle mesmo?

Considerações empiristas - quando enviei a matéria acima ao JC, Dilma não havia sido ainda obrigada por Sarney - logicamente com a conivência de Lula - a nomear o deputado federal Gastão Vieira (PMDB/MA) o novo "tapa-buraco" do Turismo. Acatar imposição de Sarney (porque sugestão não foi) e nomear como substituto de Novais um submisso do presidente do Senado e de sua família, somente demonstra que, inexo-ravelmente (que pena!), Dilma Rousseff também não joga o jogo dos interesses da nação e sim o dos interesses de "A, B ou C" e, até mesmo, de "L".

Demonstra ainda que ela é, também, farinha do mesmo saco que contém a nata dos que promovem os arranjos políticos nacionais. Em nome da governabilidade? Ora, ora... Decepção!


João Guilherme Ortolan

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