Polônia - Os ministros das Finanças da União Europeia pediram ontem o fortalecimento dos bancos do continente, após a divulgação de relatório - baseado em testes feitos em julho - que aponta possibilidade de surgimento de uma nova crise de crédito.
"Chegamos à conclusão de que precisamos tornar o nosso sistema financeiro mais robusto", afirmou a ministra espanhola, Elena Salgado, durante encontro de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais europeus que ocorreu na cidade de Cracóvia, na Polônia.
"Há um consenso de que seria bom para nossas instituições financeiras fortalecer seu capital e enfrentar qualquer eventualidade do momento", disse.
O acordo, entretanto, não significa que as instituições estão suscetíveis a receber grandes injeções de capital adicional de ofertas públicas - é mais um reconhecimento dos resultados dos "testes de estresse" de julho com os bancos europeus.
Os testes mostraram uma lacuna de financiamento dos bancos de 6 bilhões de euros, valor que muitos investidores acreditam que poderia ser muito maior se a crise da dívida se agravar.
"Vemos uma necessidade clara da recapitalização", disse o ministro sueco Anders Borg. "Acho que o FMI deixou muito claro."
Os ministros também debateram um imposto sobre operações financeiras, como a negociação de ações. A ideia foi defendida pela Alemanha, França e Áustria, mas não houve consenso. "Apenas começamos esse debate", disse o comissário da UE para Mercados Internos, Michel Barnier.
O imposto serviria à União Europeia como um meio de financiamento próprio, mas há receios de que desloque as transações financeiras para locais onde não haja taxas.
"É melhor organizarmos algo sobre transações financeiras em nível mundial, mas isso é impossível", lamentou o ministro belga da Economia, Didier Reynders.
Durante o encontro, o ministro francês, François Baroin, informou que o grupo está próximo de chegar a um acordo sobre a garantia para os empréstimos emergenciais à Grécia. A Finlândia tem exigido garantias, o que é criticado pelos demais países da zona do euro, que exigem tratamento igual a todos.
O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, mandou um recado ao secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, ao afirmar que a zona do euro está melhor do que muitas grandes potências. Geithner criticou na sexta-feira a lentidão dos europeus em reagir à crise da dívida soberana.
"Se pego a zona do euro e a União Europeia em conjunto, o nível [da dívida] é bastante encorajador se comparado com as outras economias desenvolvidas", disse Trichet.
Jean-Claude Trichet reconheceu que houve erro em alguns países analisados individualmente, mas afirmou ontem que eles "estão sendo corrigidos".
Grécia oferecerá novas garantias de liquidez
Atenas - A Grécia planeja suprir bancos com garantias de empréstimos de até 30 bilhões de euros (US$ 41 bilhões) para ajudá-los a ter acesso à janela de financiamento emergencial do banco central e aliviar a escassez de liquidez, disse o jornal grego Kathimerini ontem.
Golpeados por rebaixamentos da nota de dívida soberana, resgates de depósitos e um menor estoque de colaterais aceitáveis para terem acesso ao financiamento do Banco Central Europeu (BCE), alguns bancos gregos já fizeram uso do mecanismo de assistência emergencial de liquidez (ELA, na sigla em inglês).
O Banco da Grécia preparou o mecanismo ELA no mês passado para oferecer financiamentos às instituições quando necessário.
O ELA é uma das opções que a zona do euro possui à disposição para manter os bancos gregos com liquidez, caso a dívida soberana do país sofra um default por um novo acordo de resgate acertado por líderes da União Europeia (UE) em julho e o BCE pare de aceitar a dívida como colateral.