Regional

Hospital de Agudos pode fechar as portas

Da Redação
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Agudos – Com uma dívida que foi se acumulando ano a ano e que chega hoje a R$ 700 mil, a diretoria da Associação do Hospital de Agudos (AHA) busca a ajuda da sociedade civil, políticos e entidades para não fechar suas portas. De acordo com a unidade, apesar das dificuldades terem sido expostas a vários órgãos, como prefeitura e Câmara, além de políticos da região, até agora, nenhuma solução concreta foi apresentada.

A diretoria do hospital ressalta que a crise atual é decorrente de uma série de fatores, entre eles perda gradativa de receita. “Nos anos de 2006 e 2007, a associação pôde contar com o chamado Incentivo Estadual à Contratualização, ajuda que, a partir de 2008, foi cancelada sem qualquer comunicação por parte do Estado”, conta. A chegada de hospitais como o da Unimed e o Hospital Estadual também contribuíram para a redução no número de internações, segundo a diretoria.

Além disso, a unidade cita a defasagem na Tabela de Procedimento do Sistema Único de Saúde (SUS) que, nos últimos 17 anos de funcionamento da entidade, foi reajustada apenas duas vezes, no total de 10%, para uma inflação no período acima de 500%. “Os custos hospitalares continuaram crescendo em descompasso com a Tabela de Procedimento não apenas do SUS, mas também do Iamspe e Unimed que, igualmente, não acompanharam a subida dos preços”, informa.

Para honrar os compromissos com a folha de pagamento dos funcionários e os débitos com fornecedores, garantindo assim o atendimento médico à população de Agudos e região, a associação teve que recorrer à empréstimos bancários, na ordem de R$ 290 mil, somados a juros anuais altíssimos.

 

Repasses

 

Em 2009, a Secretaria da Saúde do Estado repassou ao hospital o total de R$ 20.797,00. Em 2010, o valor foi de R$ 16.561,00. Neste ano, a quantia aumentou para R$ 33.485,00. Também em 2009, a AHA recebeu recursos dos deputados estaduais Ricardo Izar (R$ 50 mil para compra de equipamento de videolaparoscopia); Pedro Tobias (R$ 200 mil para compra de equipamento médico); Marcos Martins (R$ 100 mil para reforma da cozinha); Abelardo Camarinha (R$ 30.575,00 para aquisição de equipamento hospitalar) e Milton Monti (R$ 50 mil para compra de um aparelho de Raio X).

“Tendo em vista as dificuldades econômicas que essa casa de saúde enfrentava e enfrenta, resolveu-se, então, enviar carta de esclarecimento e solicitação aos deputados estaduais Gilmaci Santos, Fernando Capez, Rita Passos, Campos Machado e Pedro Tobias, bem como aos deputados federais Aline Correa e Vaz de Lima”, desabafa.

“Foi enviada também correspondência ao Ministro da Saúde Alexandre Padilha e, através da DRS-6, um pedido de R$ 360 mil para a Secretaria de Saúde do Estado. Até hoje, entretanto, nada de concreto aconteceu”. A diretoria da unidade acrescenta que está mantendo conversas com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para verificar a possibilidade da empresa captar doações junto aos munícipes interessados através de cobranças em carnês de água e esgoto.

 

Negociação com a prefeitura

Em outubro de 2010, o provedor do hospital sugeriu ao prefeito de Agudos, Everton Octaviani (PMDB), que ele adiantasse, a título de empréstimo, o valor de cerca de R$ 600 mil, o equivalente a mais ou menos dois meses do Convênio do Pronto-Socorro (PS). “Com esse recurso, o hospital pagaria todos os seus compromissos e, livre dos juros, estaria em condições de permitir que a prefeitura descontasse mensalmente do pagamento do convênio a importância de R$ 30 mil, até a total liquidação do empréstimo”, explica. A prefeitura ficou de avaliar a proposta. Em abril deste ano, o prefeito antecipou o pagamento de R$ 316.070,00, referente a um mês de convênio do PS, repasse que foi compensado em julho.

O valor, de acordo com o hospital, foi utilizado no atendimento dos pacientes do PS, pagamento de médicos plantonistas, de retaguarda e de outros médicos, serviço de ambulância, enfermagem, materiais, medicamentos, recepcionistas, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, técnicos em radiologia, laboratório, contas de telefone, água, luz e impressos.

Em fevereiro, as dificuldades também foram relatadas à Câmara Municipal e os vereadores se comprometeram a buscar recursos junto aos deputados de seus partidos. “Apesar de estarmos já no segundo semestre de 2011, a AHA não recebeu, até hoje, nenhuma confirmação de que qualquer providência estivesse sendo tomada para solucionar ou sequer remediar o problema”, declara.

O hospital não descarta fechar as portas, deixando milhares de pessoas sem atendimento médico, se nenhuma providência for tomada com urgência para amenizar a crise. Quem puder contribuir com a Associação do Hospital de Agudos (AHA) pode entrar em contato com a unidade pelo telefone (14) 3262-8800.


 

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