Política

Lotes devem abrigar 4º distrito industrial

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

A dificuldade para encontrar área onde possam ser instaladas novas indústrias em Bauru pode ser amenizada. Essa é a expectativa do Prefeito Rodrigo Agostinho que confirmou, em entrevista ao JC, ter dado início ao plano de recuperação da área destinada ao programa Lotes Urbanizados, na Zona Leste da cidade, onde deve ser instalado em breve o 4.º Distrito Industrial (DI) de Bauru.

Lançado 1991 ainda governo Izzo Filho, o programa que recebeu recursos federais teve apenas sua primeira etapa regularizada (com infraestrutura) em 96. Entretando, até hoje, os terrenos situados próximo ao Núcleo Habitacional Mary Dota não foram utilizados. A denúncia de que parte do valor aplicado no local foi desviada levou o ex-prefeito Antônio Izzo Filho à prisão. Porém, posteriormente, a condenação pelo crime foi anulada pela Justiça Federal. Na esfera civil, ele foi condenado.

"O pessoal da Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) e da Secretaria de Obras já está fazendo um detalhamento desta área e estamos realizando o plano de ocupação deste espaço inutilizado há 20 anos, que a Prefeitura não conseguiu dar um destino. Por ser uma verba Federal (já recebeu recursos da União e não teve o destino adequado), não posso utilizá-la no projeto ?Minha Casa, Minha Vida?, por exemplo, e nesta semana resolvemos estudar esse novo plano", destaca Rodrigo Agostinho (PMDB). "Dar uma utilidade a esse espaço é uma preocupação deste Governo desde que entramos", completa. Em 2009, ele já havia levantado a possibilidade de transformar os lotes em distrito industrial, conforme o JC anunciou na ocasião.

Além de compreender um novo polo de indústrias, a área também deve compartilhar um espaço dedicado à habitação. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) já demonstrou interesse, segundo o chefe do Executivo, em 200 lotes. "Isso corresponderia a mais ou menos 15% do espaço, e por volta de 200 casas. No mínimo, teremos de 70% a 80% desta área destinada ao plano industrial que ainda contempla a entrega da entrada duplicada da Bauru/Iacanga (rodovia Cezário José de Castilho)".

Os primeiros 899 lotes, os únicos urbanizados (o restante ainda precisa ser parecelado e está coberto por mata), chegaram a ser transferidos, no passado, para a CDHU, que também tinha planos de implementar um projeto de moradia. No entanto, como o custo de recuperação da área era alto, a companhia os devolveu à prefeitura.

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Área equivale a 37 campos de futebol


De acordo com projeções do novo plano de expansão, a área destinada ao 4.º Distrito Industrial tem 37 hectares, o que corresponde a 37 campos de futebol. "Esses 37 hectares são divididos em quadras de 10 mil metros quadrados que pretendemos dividir para empresas de até 5 mil metros quadrados. Existe ainda mais uma área do mesmo porte que ainda não foi urbanizada, mas esta é uma questão para se pensar mais pra frente", diz Rodrigo.

Em comparação aos demais Distritos Industriais da cidade, o futuro espaço é menor do que os três já existentes, com cerca de 370 mil metros quadrados. Segundo o titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Roberto Ferrari, o maior deles continua sendo o Distrito I, com mais de 1,1 milhão de metros quadrados, seguido pelo Distrito III, com 433 mil metros quadrados e pelo Distrito II, com 409 mil.

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Recuperação do local ainda depende de estudo


A reutilização dos Lotes Urbanizados surge como alternativa para eventualmente, diminuir gastos do município, segundo o prefeito Rodrigo Agostinho. "Tomamos essa decisão por termos consciência do gasto que teríamos para comprar outras terras. No mínimo seriam gastos dos cofres públicos de R$ 10 a R$ 15 milhões para comprar e urbanizar uma nova área. Como esse espaço é da prefeitura, vamos fazer o orçamento para adequar o local e abrigar de 40 a 50 indústrias", garante Rodrigo.

Segundo o prefeito, duas possibilidades devem ser analisadas após a apresentação do estudo feitos pelos técnicos da Semma e da Secretaria de Obras. "A primeira alternativa é, se o orçamento permitir, que façamos o reparo imediato. Mas como temos consciência de que a região está bastante castigada, trabalhamos com a hipótese de fazer esse reparo gradual, mês a mês, arrumando quarteirão por quarteirão, mesmo após as áreas serem cedidas às empresas".

Embora ainda não apresente números atualizados sobre custos, de longa data a administração municipal sabe que a recuperação da área não sairá sem investimento alto.

Motivo de incansáveis debates, a Lei do Cerrado não será empecilho para a nova alternativa de expansão da cidade. "Se isso der certo, vamos conseguir resolver de 80 a 90% o problema da falta de terras. Essas áreas tem toda infraestrutura pronta, mas nossa preocupação é recuperar o espaço que foi muito degradado ao longo do tempo", comenta Rodrigo.

As rodovias Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú) e Marechal Rondon no sentido Interior-Capital já haviam sido descartadas em função da Lei do Cerrado.

Recentemente, até mesmo o desmatamento de 11 áreas do Distrito Industrial II com vegetação cerradeira, doadas a empresas na gestão do então prefeito Tuga Angerami, foram negadas pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

"Só duas situações podem travar o processo. A primeira é se o custo para reabilitar essa infraestrutura for muito alto, e a segunda é se as empresas não aceitarem a proposta. ", aponta Rodrigo.

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