Quioshi Goto |
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O prefeito Rodrigo Agostinho deve usar sua bicicleta hoje |
No Dia Mundial sem Carro, comemorado hoje, levantamento feito a pedido do Jornal da Cidade mostra que 61.275 veículos com mais de 20 anos circulam em Bauru, o que representa 28% (mais de um quarto) da frota de 220 mil automóveis. Os números são do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e consideram veículos fabricados entre 1929 e 1991.
Visando a redução dos efeitos nocivos ao meio ambiente e a renovação da frota na cidade, o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM-I) de Bauru, sugere que proprietários de carros mais velhos sejam beneficiados por cartas de crédito e possam optar pela troca por moradia ou veículos mais novos. Ele destaca que, quanto mais antiga é a frota, maiores os riscos de acidentes.
Definindo como velhos os carros em mau estado de conservação e segurança, pela proposta de Garcia uma instituição apontada pelo governo federal disponibilizaria uma carta de crédito ao proprietário, mediante a entrega de seu veículo para desmanche em empresas autorizadas.
“Com a carta de crédito, ele poderia comprar outro veículo de quatro rodas, um de duas rodas ou ainda aproveitar em um financiamento habitacional”, explica o tenente-coronel. O veículo entregue seria desmanchado e as peças vendidas em leilão para empresas autorizadas no comércio de peças usadas.
“Teria um ciclo virtuoso na indústria, no comércio de peças usadas e também o favorecimento da questão ambiental, já que entrariam mais veículos novos na rua, sairiam os carros que projetam um grande malefício para o meio ambiente e diminuiria o número de veículos nas ruas. O trânsito teria mais qualidade.”
Garcia aponta, ainda, exemplos de países como o Japão, que têm iniciativas que retiram carros das ruas diante de benefícios aos donos.
Também lembrando a data mundial, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga hoje estudo que avalia o impacto da poluição causada por veículos antigos na atmosfera e analisa os programas desenvolvidos até agora de controle de emissão desses gases.
Mais poluentes
Segundo pesquisa recente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), um carro com mais de 15 anos de uso polui 28 vezes mais que um novo, com menos de 6 mil km. A frota bauruense, considerada velha por especialistas ouvidos, tem mais carros na faixa dos 30 anos. Fabricados entre 1970 e 1990, são 51.280 no total, ou pouco mais de 85% dos carros apontados pelo levantamento do Detran.
As ações nacionais e locais de hoje propõem aos usuários uma reflexão sobre opções que possam minimizar os efeitos do uso contínuo dos veículos como principal meio de locomoção. Uma alternativa são as bicicletas.
Levantamento
De acordo com o levantamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Bauru possui 61.275 veículos fabricados entre os anos de 1929 e 1991. Na maior faixa dos veículos em circulação estão os fabricados entre 1980 e 1990, que chegam a 32.312 veículos. Os mais ‘velhinhos’, do final da década de 1920, chegam a 22 veículos. Número maior do que os fabricados entre 1930 e 1940, que chegam a 13 carros registrados na cidade. Entre os anos de 1940 e 1950 constam 24 veículos registrados em Bauru.
O número de carros aumenta relativamente à redução do tempo de fabricação. São 217 produzidos entre 1950 e 1960; 3.220 entre 1960 e 1940; 18.968 veículos produzidos entre 1970 e 1980 e 32.312 entre os anos de 1980 e 1990.
O ano com maior número de registros é 1986. Segundo o Detran, circulam em Bauru 3.877 carros na faixa dos 25 anos de idade. Embora cinco anos mais velhos, o número é mais expressivo que o de carros produzidos em 1991, que chegam a 3.048 unidades circulando na cidade.
‘À pé, de bicicleta ou de ônibus’, promete prefeito para esta 5ª feira
O prefeito municipal Rodrigo Agostinho garante que o carro irá ficar guardado hoje. Segundo ele, “o pneu de sua bicicleta já está calibrado” e as próximas 24 horas serão totalmente sem o uso do automóvel particular. “Só andarei de bicicleta ou à pé. Se for preciso, usarei ônibus. Mas o carro realmente irá ficar na garagem”, promete o prefeito, que ainda não descarta pegar carona com alguém.
Pela manhã, o prefeito, juntamente com o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, entregam a ciclofaixa da avenida Comendador Martha. “Já estarei com minha bicicleta e aproveitarei para testar como ficou a ciclofaixa. Acho que estou preparado fisicamente”, brinca Agostinho.
Segundo ele, o “Dia Mundial Sem Carro” é importante não apenas pelo que representa hoje, porém, principalmente pela conscientização que pode gerar. “A população tem feito uso desenfreado dos carros. Perdemos milhões de passageiros de ônibus urbanos. Estamos trabalhando com a renovação das frotas (de ônibus) e melhores condições aos usuários. O número de carros em Bauru está muito grande, então, é preciso que a conscientização não seja só hoje”, conclui o prefeito.
‘Pura saúde’
João Aldo Pasciello, conhecido como Foguinho, tem 74 anos. Entretanto, para ele, a idade não é sinônimo de sossego e repouso. Há 25 anos, ele começou a pedalar, prática que, além das melhorias que trouxe para sua saúde, tornou-se uma verdadeira paixão. “É pura saúde. Muitos acham que, com a idade, devem ficar em casa. A bicicleta me ensinou que a idade não tem importância nenhuma. O que importa é o condicionamento físico”.
A paixão pela prática foi tamanha que Foguinho fundou o grupo de ciclistas “Vai quem qué”, que completará 20 anos no próximo novembro. Ele, que já faz uso regular da bicicleta, enxerga a importância de um dia como hoje. “Acho excelente. Pedalar só traz benefícios. Acho que deveria ter mais dias como esse para incentivar essa prática que tanto pode melhorar e mudar as vidas das pessoas”, completa.
Reflexão e atividades no dia sem carro
O Dia Mundial Sem Carro é um movimento que começou em algumas cidades da Europa nos últimos anos do século 1920, e desde então vem se espalhando pelo mundo. A data propõe uma reflexão e um manifesto sobre os problemas causados pelo uso massivo de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos.
A data também faz um convite ao uso de meios de transporte sustentáveis, entre os quais a bicicleta é a grande vedete.
Em Bauru, dentro da programação da Semana do Trânsito e para ressaltar o Dia Mundial sem Carro, será inaugurada hoje a ciclofaixa da avenida Comendador José da Silva Martha. Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, até o fim do mês serão 18 quilômetros de ciclovias na cidade.
Outros dois eventos marcam a data. A orientação ao pedestre na escola municipal Etelvino Rodrigues Madureira (Mãozinha), feita por agentes da Emdurb, Sest Senat, Cart, e com a participação de atores da Secretaria Municipal de Cultura. Também será realizada uma palestra sobre direção segura para jovens, por representantes da AD Corretora de Seguros, no Instituto Iesb/Preve.
Definição de antigo gera polêmica
A definição do que é carro velho e carro antigo é sempre motivo de questionamentos entre colecionadores. Segundo o presidente do Clube dos Carros Antigos do Centro Oeste Paulista, Adriano Chies, não necessariamente considera a idade de fabricação do veículo. A entidade possui 80 associados cadastrados de Bauru e chega a mais de 100 inscritos.
“O carro antigo é considerado tendo mais de 30 anos de uso e estando em perfeito estado de conservação, principalmente nas linhas originais. O carro velho também tem mais de 30 anos e está em estado deplorável de conservação”. Sintomas como para-choques amarrados com arame, com funilaria ruim ou mal pintado são indicações de que se trata de um carro velho e não antigo, segundo Chies.
Entre os próprios colecionadores, existem aqueles que consideram carros antigos apenas os de fabricação pós-guerra. Mas outros colecionadores já se interessam por carros mais novos, fabricados principalmente entre os anos de 1960 e 1970.
“Nosso regulamento define que carro antigo tem mais de 30 anos. Quem possui esses automóveis como peça de coleção, geralmente só usa para pequenos passeios.”
