Malavolta Jr. |
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Trabalhadores criticam a “intransigência” dos Correios durante as negociações salariais |
Após nove dias de greve dos funcionários dos Correios, cerca de 730 mil cartas e encomendas foram entregues com atraso ou ainda não chegaram ao seu destino na região de Bauru. São postagens que deveriam ter sido distribuídas nas 225 cidades abrangidas pela Diretoria Regional São Paulo Interior, mas que ficaram represadas nos centros de tratamento mantidos pela empresa.
O montante baseia-se na média de 90 mil objetos recebidos pelas três unidades da cidade e que deveriam ser triados e distribuídos todos os dias. Como a adesão à paralisação segue em 90% entre funcionários do setor operacional, segundo informou o sindicato da categoria, a estimativa com base no mesmo percentual revela que 81 mil cartas e encomendas não tenham sido encaminhadas no prazo considerado normal a cada dia de paralisação.
Procurada, a assessoria de imprensa da empresa não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem ontem. Em contatos anteriores, a empresa havia informado que providenciou a realocação de empregados, bem como a realização de horas-extras e de um mutirão no último final de semana para minimizar os prejuízos à população. Não revelou, entretanto, qual foi o impacto desta medida em números concretos.
Mesmo sem confirmar a adesão de 90% dos funcionários de Bauru à greve, a autarquia suspendeu os serviços Sedex 10, Sedex Hoje e Disque-Coleta, que contam com prazo exíguo para serem efetuados. As demais encomendas e cartas simples, incluindo contas, boletos e faturas, continuam sendo entregues aos poucos, com 10% da capacidade, o que preocupa parte da população (leia mais abaixo).
E a tendência é que os atrasos na distribuição permaneçam por tempo indeterminado, já que o Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb) não sinaliza com a possibilidade de os funcionários do setor operacional - que incluem carteiros, agentes de triagem e motoristas - voltarem ao trabalho sem receber uma contraproposta de reajuste salarial.
“Além de não apresentar nenhuma nova proposta financeira, a empresa continua afirmando que irá descontar os dias parados. Os trabalhadores receberam esta atitude como uma afronta”, diz o presidente do Sindecteb, José Aparecido Gimenes Gandara.
Bastidores
Oficialmente, os Correios reforçam que as negociações sobre o acordo coletivo só serão retomadas quando os funcionários retornarem às atividades. Mas, segundo o apurado pelo JC, o reajuste já estaria sendo discutido nos bastidores, em Brasília, junto a representantes sindicais de todo o País.
Há dois anos sem modificação salarial, a categoria reivindica aumento de 24%, referentes a perdas desde 1994, além de reajuste linear (para todos os cargos) de R$ 200,00. Atualmente, o piso da categoria é de R$ 807,00 para jornada de oito horas. Antes de a greve começar, os Correios ofereceram aumento de 6,87%, mais R$ 50,00 de reajuste linear a partir de janeiro de 2012, que não foi aceito pelos trabalhadores.
Sem nenhuma nova proposta, os empregados em Bauru decidiram continuar de braços cruzados, após assembleia realizada na noite de ontem na sede do sindicato. Um novo encontro está marcado para as 17h30 de hoje para definir os rumos do movimento, desencadeado em âmbito nacional. Na região, além de Bauru, estão paralisados funcionários dos Correios de Araçatuba, Birigui, Lins, Penápolis, São Manuel e Valparaíso.
Pagamento de contas
Em nota divulgada anteontem, a Fundação Procon-SP alertou para que os consumidores que já sabem a data de vencimento de suas contas entrem em contato com a empresa para solicitar outra opção para efetuar o pagamento antes do vencimento, “a fim de evitar a cobrança de eventuais encargos e cancelamentos”.
Desde o primeiro dia de paralisação dos Correios, na semana passada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que as datas de pagamento dos boletos de cobrança não serão alteradas em virtude da greve, e sugeriu que os clientes identifiquem os pagamentos recorrentes mensais, e peçam a segunda via da cobrança.
