Esse "causo" não é meu. Eu o vi num programa do Rolando Boldrim e achei muito engraçado e resolvi compartilhá-lo com as pessoas que, talvez não o ouviram ainda. Conta-se que lá no Pantanal mato-grossense morava um caboclo bem fanfarrão, contador de vantagens.
Tudo o que possuía, ou tudo que fazia, sempre era melhor do que de todos, e, por esse motivo, o pessoal foi deixando ele de lado, foram o abandonando. Certa tarde, um amigo o encontrou sentado ao pé de uma grande árvore, picando um fuminho e muito pensativo, foi quando o amigo perguntou-lhe o que estava acontecendo, por que estava assim tão cabisbaixo?
Aí, ele botou fogo no cigarrinho já pronto, jogou o chapéu pra trás e falou: "Sabe cumpadi, tava aqui mi lembrando dum fato qui si passô há muito tempo cumigo. Certa tarde, cunvidei arguns amigos e fiz um grandi churrasco, bem na barranca du rio. Teve muita coisa boa; picanha, maminha, muita coisa boa mesmo. Salada di tudo tipo. Bibida intão cê nem imagina."
E continuou ele: "Sabi cumpadi, sobrô muita coisa. Intão, despois qui o pessoar foi simbora, eu fiquei suzim di novo. Drumi um poquim dibaxo das arvi e quando acordei, resorvi pescá um poco. Peguei uma linhada bem grossa, ispetei nu anzór um bom pedaço de arcatra qui sobrô do churrasco e joguei nu rio. Óia moço, num deu nem meiminuto e o trem puxô, mais puxô cum tanta força qui mi levô pra dentro du rio. Sorti é qui ali era mei raso e deu água pela cintura", falou o sujeito, com semblante sério.
"Pircibi intão qui num era pexe, era uma sucuri qui tinha pegado a carne, uma cobra di mais o menos uns 6, 7 metros. Foi uma luta bruta, minha sorti é que tava cum facão na cinta e comecei dá gorpi na cobra, e cada gorpi qui eu dava, arrancava sangue da bichona, i cumeçô juntá piranha e cumeçaro tamem a mordê minhas perna. Ai, eu fui lutano, lutano, até qui u facão cortô a linha i eu cunsigui saí du rio. Cumpadi du céu, quandu eu oiei pra riba du barranco, tava di pé mi esperando um baita dum urso polar."
Nessa altura, o amigo interveio e falou: "Peraí companheiro. Fisgar uma sucuri no pantanal, tudo bem. Ser atacado por piranhas no pantanal, também tudo bem. Mas, encontrar um urso polar, aí já é demais, né?" Então, o caboclinho deu mais uma boa tragada no cigarro e falou: "Pois é, cumpadi, eu tamém fiquei abismado di vê aquele urso ali. Garrei nas oreinhas dele, sacudi a cabeça dele i falei: ?Qui cu ce ta fazendo aqui rapais?? Óia cumpadi, o bicho disimbestô mata adentro qui nunca mais ninguém viu aquela fera.
Ivo de Jesus Ribeiro é pescador e contador de histórias