Tribuna do Leitor

ESSE HOSPITAL NÃO PODE FECHAR


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O Jornal da Cidade (19/9, p.8) publicou excelente matéria sobre a crise que ronda o Hospital de Agudos, na iminência de fechar suas portas. A reportagem explica com detalhes algumas das razões da crise. Além do descompasso entre os custos hospitalares e o repasse de verbas do SUS, Iamspe e Unimed, a situação agravou-se com a perda gradativa de receita motivada pela criação de dois hospitais regionais de grande porte.

Quem leu a reportagem deve ter percebido a situação aflitiva dessa casa de saúde e, por extensão, deve ter entendido que esse é o desenho da maioria dos hospitais das cidades menores, que não têm como criar receitas para continuar atendendo à população, a não ser, talvez, que possa contar com a vontade política e a mobilização da população.

O que se pôde notar é que, um dia após a publicação da matéria, o professor Wellington Balbo, do curso de Administração de Empresas de Agudos, escreveu significativo artigo neste mesmo jornal, enfocando a indiferença do poder político ante às agruras da população, indiferença que mata. "É o ônus", diz o professor, "que a população paga por um Estado que gasta muito e mal." E aí, alerta em boa hora o professor: "Parece que estamos todos envolvidos pela ilusão do pão e circo. Nada cobramos, nada fazemos, nada queremos..."

É fato de que ficar sentado sobre uma pedra fitando o horizonte não vai levar a nada. Se o povo não se mobilizar, não fizer uma corrente e, ao lado do poder público, não bus-car alternativas, o Hospital de Agudos não sairá desse impasse.

Felizmente, um semanário da região publicou o primeiro grito de alerta. Na última reunião da Câmara de Agudos, o vereador Auro Octaviani, preocupado com a situação, pediu aos colegas que estudem formas alternativas para ajudar a associação. Sugeriu até que a Câmara, que tem 700 mil reais em poupança destinados ao início das obras do novo prédio, adie essa medida e repasse essa quantia ao hospital. É um sinal alvissareiro de uma luz política brilhando.

Alternativa, como já foi expressa na reportagem deste jornal, é a prefeitura adiantar ao hospital mais ou menos dois meses do Convênio do Pronto-Socorro e ir descontando parceladamente até a liquidação do empréstimo.

Há uma pergunta que gostaria imensamente de fazer, sem desejar absolutamente ferir suscetibilidades: os senhores candidatos a deputados, que visitaram Agudos, foram bem votados e prometeram mundos e fundos, esqueceram-se das promessas de campanha? Sei que alguma provável verba não passaria de mero paliativo, mas poderia ajudar bastante. Por outro lado, se o hospital conseguir verba para safar-se dessa situação, precisará ser muito bem gerenciado, porque como diz o ditado popular, o mar não está pra peixe. Como assinalou o professor Wellington Balbo, expert no assunto, "chega de incompetência, incapacidade e falta de qualidade na gestão dos municípios e estados." Se a própria federação está falhando na administração e na aplicação das verbas públicas, no caso de o hospital conseguir sair dessa situação, não seria de bom alvitre a diretoria contar também com o assessoramento de administradores especializados?

Tudo que aí vai é a título de sugestão e ajuda. Qualquer cidadão, munícipe ou filho da terra deverá apresentar sua colaboração, por menor que seja, num momento difícil como esse. O Hospital de Agudos, após mais de cem anos de história, poderá fechar suas portas para sempre. Ninguém deverá omitir-se sob pena de permitir uma nódoa imperdoável na cronologia do município.


Maria da Glória De Rosa

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