Nova York - Em discurso na Assembleia Geral da ONU ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que os palestinos merecem o reconhecimento de Estado, mas disse que isso só será alcançado por meio de negociações com Israel.
"Estou convencido de que não há atalho para encerrar um conflito que dura décadas. A paz não virá por meio de resoluções na ONU. Se fosse fácil assim, já teria ocorrido", disse ele, reforçando que entende que muitos estão frustrados com a aparente falta de progresso sobre o impasse. "Paz é trabalho duro", afirmou. "No final das contas, são os israelenses e palestinos - não nós - que precisam chegar a um acordo sobre as questões que os dividem: sobre fronteiras e segurança; sobre refugiados e Jerusalém".
As afirmações de Obama foram feitas diante da 66.ª Assembleia Geral da ONU, na qual o presidente palestino, Mahmoud Abbas, planeja solicitar o reconhecimento da Palestina como Estado, o que os EUA e Israel rejeitam.
Como exemplo de negociações bem sucedidas, o presidente americano citou o caso do Sudão, onde, segundo ele, o diálogo levou a um novo Estado independente. O Sudão do Sul estreou como Estado pleno da ONU ontem, após ter sua independência oficializada.
Segundo o presidente, é por acreditar tanto no direito do povo palestino em ter um Estado próprio que os EUA dedicaram tanto tempo à resolução do impasse na região. Obama defendeu também que os apoiadores da causa palestina não contribuem ao ignorar as circunstâncias que levou o povo judeu a chegar a Israel. "Só teremos sucesso nesse esforço (pela paz) se conseguirmos que os dois lados sentem e ouçam seus medos e seus desejos", disse Obama.
Onda de revoltas
Ressaltando as transformações pelas quais o mundo passou no último ano, o presidente dos EUA saudou a onda de revoltas no mundo árabe na busca por mais democracia, citando o caso da Tunísia, onde um homem ateou fogo no próprio corpo para protestar.
Obama apoiou também os rebeldes na Líbia, que, segundo ele, "dia após dia, sob bombas, mísseis, se recusou a desistir de sua liberdade" na luta contra o regime de Muammar Gaddafi.
Ao falar da situação na Síria, o presidente americano convocou o Conselho de Segurança da ONU a impor imediatamente sanções ao país pela repressão das manifestações contra o regime de Bashar Assad. "Não agir é indesculpável. É hora de o Conselho de Segurança das Nações Unidas sancionar o regime sírio, e de solidariedade para com os sírios", afirmou.
Apesar de defender ações coordenadas mundialmente para combater a morte de civis durante os processos de abertura política, Obama ressaltou que o destino de cada país deve estar nas mãos da população, que precisa buscar a própria liberdade.
Obama prometeu também que os EUA seguirão seu trabalho para banir armamentos nucleares e disse que Irã e Coreia do Norte poderão sofrer um maior isolamento pela insistência em seus programas na área.
Segundo ele, o governo iraniano não mostrou que seu programa é pacífico e a Coreia do Norte ainda tem que tomar passos concretos para abandonar suas armas.
Dando um tempo
Nova York - Os palestinos darão "algum tempo" para o Conselho de Segurança da ONU discutir sua solicitação de adesão plena à entidade, disse um funcionário palestino de alto escalão ontem - embora os EUA já tenham informado que pretendem vetar essa reivindicação.
Nabil Shaath, dirigente do partido governista palestino Fatah, disse também que a delegação palestina irá educadamente rejeitar o apelo que o presidente dos EUA, Barack Obama, fez ontem na Assembleia Geral da ONU para que os palestinos desistam de pedir o reconhecimento da sua independência na entidade mundial. "Vamos dar algum tempo ao Conselho de Segurança para considerar primeiro a nossa solicitação de adesão plena, antes de partirmos para a Assembleia Geral," disse Shaath a jornalistas.
Sarkozy propõe mapa para a
paz no Oriente Médio em 1 ano
Nova York - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs ontem que a Organização das Nações Unidas (ONU) conceda aos palestinos o status de Estado observador, enquanto se estabelece um mapa para a paz dentro de um ano.
Em um discurso à Assembléia Geral da ONU, Sarkozy advertiu que o veto do Conselho de Segurança da ONU às ambições palestinas por um Estado arrisca deflagrar um novo ciclo de violência no Oriente Médio.
No mapa do caminho para a paz, Sarkozy disse que as negociações deveriam começar dentro de um mês, em seis meses seria fechado um acordo sobre as fronteiras e a segurança e o acordo definitivo seria selado em um ano. Sarkozy disse que não se exclui um estágio intermediário.