Política

Para Arnaldo Jardim, não há clima para novo imposto

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS) esteve em Bauru ontem e confirmou a informação de que, no Congresso Nacional, "não há clima" para aprovação de um novo imposto para gerar mais recursos para a área de saúde. A proposta do governo federal foi rejeitada pela Câmara Federal nessa semana, no mesmo momento em que os parlamentares aprovaram a regulamentação da Emenda Constitucional 29, que institui verba mínima obrigatório para a saúde de 15% do orçamento em municípios e 12% dos estados e 10% da União. Em vigor desde 2000, a medida nunca foi regulamentada.

Essa foi a deixa encontrada pelo governo para justificar a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), apelidada pela oposição como "nova CPMF". No entanto, o próprio líder da bancada de situação na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT) já havia admitido, em entrevista ao Jornal da Cidade na semana passada, que o governo recuara da proposta.

Jardim, por sua vez, argumenta que não há a necessidade de criação de um novo imposto para a saúde no País, pois a arrecadação tributária continua batendo recordes, mesmo após a extinção da CPMF, em 2007.

Por outro lado, o parlamentar defendeu a regulamentação da Emenda 29, que ainda precisa ser aprovada pelo Senado Federal. Jardim teme que a bancada governista da Casa tente ?segurar? a votação.

Ele cita como exemplo o próprio governo do Estado de São Paulo para justificar a necessidade da medida. "Apesar da emenda ter sido aprovada no ano 2000, nunca ficou definido o que eram de fato os gastos com saúde. O governo de São Paulo, por exemplo, gasta R$ 1 bilhão que deveriam ser aplicados em saúde, mas pagam os vencimentos de servidores inativos. Isso é despesa com pessoal e não com saúde", contou.

Apesar de, inicialmente, ter sido rejeitada pela Câmara dos Deputados, o novo imposto ainda pode ser proposto legalmente pelo governo federal. No entanto, Jardim acredita que a medida não é bem recebida pela sociedade e lideranças políticas da própria base. "Não há clima para isso", pontuou.

A "nova CPMF" renderia aos cofres da União aproximadamente R$ 6 bilhões anuais, contra R$ 36 bilhões do último ano em que a CPMF esteve em vigor, em 2006. Microempresas e contribuintes com renda mensal de ate R$ 3,5 mil não seriam afetados pela CSS. A alíquota proposta era de 0,001% sobre as transições financeiras.

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Deputado preside Frente


Arnaldo Jardim, que foi apontado novamente pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) como um dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, preside atualmente a Frente Parlamentar da Infraestrutura. O grupo composto por deputados federais e senadores tem uma agenda de debates programados para a próxima semana. Portos e vias navegáveis, concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) e o debate sobre o preço da tarifa da energia elétrica estão na pauta.

Outro tema que vem sendo discutido pelo deputado é a alta do etanol. Jardim foi relator da Medida Provisória (MP) enviada pela presidente Dilma Rousseff (PT) para reorganizar o marco regulatório do combustível, que antes era classificado como produto agrícola.

Arnaldo foi autor de uma série de emenda, vetadas pelo governo federal. Entre elas, a proposta de flexibilizar os impostos que incidem sobre o álcool em períodos de alta de preço do produto. O objetivo era de garantir que o valor pago pelo consumidor não fosse alterado, como acontece com a gasolina.

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