Assim como os medicamentos, os exercícios físicos podem causar efeitos colaterais indesejados se feitos de forma inadequada. Antes de colocar o tênis e a roupa de ginástica, portanto, os idosos devem passar por uma avaliação médica e ter a certeza de que doenças crônicas como hipertensão e diabete estão sob controle.
"O treino deve ser montado e orientado por profissionais que entendam tanto da doença como de exercícios", diz o reumatologista Fabio Jennings. Entre eles estão os fisioterapeutas, fisiatras e os médicos especialistas em fisiologia do exercício ou medicina do esporte. "O médico não vai prescrever o treino de forma detalhada, mas indica ao professor de educação física o que seu paciente pode fazer e o que ele deve evitar", explica Jennings.
No caso da aposentada Celia Barbosa, 80 anos, a comunicação entre o médico e o personal trainer é constante e ocorre por e-mail. Ela começou a fazer musculação há cerca de um ano. Já sofria de artrose na coluna e o quadro foi agravado após um atropelamento.
Evolução rápida
"Não conseguia varrer a casa nem subir escadas. Sentia uma dor tremenda ao levantar o pé. Hoje ando de metrô para todos os lados e voltei a fazer o trabalho de casa. O zelador do prédio fica surpreso", conta. Celia vai à academia duas vezes por semana e treina durante uma hora. "Meu personal vai me buscar em casa. Chique, né?"
A rede de academias B-Active, especializada no público da terceira idade, oferece aos alunos equipe médica própria e instrutores pós-graduados em educação física ou fisioterapia. Todas as instalações são adaptadas para receber pessoas que têm dificuldade de locomoção.
"Temos um cadastro com os médicos particulares de nossos clientes para que nossa equipe possa mantê-los informados sobre o treinamento", explica o ortopedista Benjamin Apter, idealizador da iniciativa.
Os alunos também passam pela avaliação de um fisioterapeuta, que verifica a massa muscular e a mobilidade das articulações. "Isso permite que os exercícios sejam feitos na amplitude correta, minimizando o risco de lesões", diz Apter.
O aposentado Mauro Fontana, 75 anos, aderiu à ideia. "Nas academias comuns ninguém toma conta de você, aqui tem um instrutor para dois ou, no máximo, três alunos", conta. Desde que começou a treinar, há dois anos, Fontana se sente mais disposto. "É necessário se mexer, senão a coisa desanda."