A nutrição está intimamente ligada à qualidade de vida, conceito que também integra atividade física e a prática de ações prazerosas. Somados, tais elementos auxiliam na saúde física e mental do ser humano. E é nessa busca por qualidade de vida e saúde que cada vez mais pessoas se tornam adeptas da alimentação orgânica, produtos que prometem distância de substâncias químicas e o equilíbrio e respeito ambiental. Em Bauru, apesar de ainda tímida, a produção e o consumo de orgânicos já dão sinais de que vieram para ficar e prometem expansão.
Renato Walter Streger é produtor rural orgânico e membro da Associação dos Produtores Rurais Orgânicos do Centro Oeste Paulista (Aprocop). Ele ressalta que até há alguns meses a Aprocop estava enfraquecida, mas diz que, hoje, a situação está começando a melhorar. Ainda tímida, com menos de 10 integrantes na cidade, a associação ganha forças com a valorização da alimentação saudável.
“Desde o ano 2000 eu trabalho com produtos orgânicos, mas nunca gostei de veneno na minha propriedade ou de consumir alimentos produzidos com defensivos químicos. Porém, compro produtos orgânicos quando acho, porque ainda considero que a produção na cidade não é suficiente para a demanda”.
Diariamente, “seo” Renato produz de 25 a 30 dúzias de ovos orgânicos no Sítio Cantinho do Sol e os vende em pontos fixos e na feira orgânica da cidade, além de realizar entregas a domicílio. Tal oferta já não é suficiente para a procura.
Segundo Renato, a produção orgânica de Bauru ainda não é maior porque os produtores abandonam a plantação pela dificuldade em cultivar sem produtos químicos, o que facilita a ação das pragas que podem devastar plantações em pouco tempo. “É preciso mais incentivo e os consumidores precisam dar mais valor à produção. Muitos acham que os produtos são caros, mas são até baratos se levarmos em conta o trabalho da produção”.
Ele aponta que a dúzia de ovos orgânicos é vendida a R$4,50, valor que pode chegar a R$6,50 nos supermercados da cidade e subir para R$11,00 em São Paulo. “O preço varia de acordo com o produto e a época do ano. Algumas vezes, nas feiras, o valor das verduras orgânicas chega a se equiparar com o valor dos produtos cultivados com agrotóxicos”, ressalta.
“Quem compra uma vez, não quer comer outra coisa”
Ao adquirir produtos orgânicos, mesmo gastando um pouquinho a mais na hora de levar o alimento para casa, o consumidor pode estar fazendo economia em remédios, médicos e preservando a vitalidade, já que os produtos são livres de química (Leia mais nas próximas páginas).
“Além de ganhar em saúde, o consumidor ganha em sabor. A pessoa que compra uma vez, não quer comer outra coisa. É freguês para a vida toda, a gente não vence atender a clientela. Nossas galinhas são criadas soltas com alimentação básica de milho orgânico, além de outros nutrientes naturais”, garante “seo” Renato.
Dona Eneida Muniz Carrasco também trabalha com a produção familiar de produtos orgânicos. Ela reforça que a procura pelos produtos cultivados sem agrotóxicos está maior do que a oferta. Há 10 anos, ela cultiva alimentos em sua propriedade rural, contudo, há pouco mais de um ano ela, marido, filhos, nora, genro e prima se dedicam ao cultivo orgânico de verduras e legumes.
“Nunca gostei de plantar utilizando veneno e fui aprendendo a lidar com o cultivo de orgânico com o incentivo e cursos da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra). Senti muita diferença, primeiro porque o resultado é um produto com mais sabor e resistência. Por outro lado, dá mais trabalho, desde o trato da terra até o crescimento das plantas. Entretanto, acredito que os resultados compensam”.
Para Zito Garcia, secretário da Sagra, o incentivo e a assistência técnica aos produtores da agricultura familiar são de extrema importância, já que estes formam um grande número não só na região, mas em todo o País. “Das 758 propriedades rurais de Bauru, 400 são de pequenos produtores. O intuito é incentivar neles a produção agroecológica”.