Bairros

Semana de greves: bancos e Correios

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

Antonio Cruz/ABr

Bancários entram em greve a partir desta terça em defesa de reajuste de 12,5% e mais uma série de reivindicações

Há 12 dias convivendo com a greve dos Correios, os bauruenses devem ter mais dificuldades com o pagamento de contas a partir de hoje, quando os bancários iniciam uma paralisação em todo o País. Por isso, fique atento ao vencimento de faturas e boletos (leia mais abaixo).

Em ambos os casos, as paralisações são vistas pelos sindicatos como “última alternativa” para as categorias que reivindicam, entre outros benefícios, o reajuste salarial. Essas greves porém, acarretam atraso e alguns entraves em serviços considerados essenciais à população.

Como o JC já destacou em edições passadas, deflagrada no último dia 14, a greve dos funcionários dos Correios paralisa aproximadamente 81 mil dos 90 mil objetos distribuídos pelas três unidades da empresa em Bauru. Com 90% do efetivo de braços cruzados, cerca de 972 mil cartas e encomendas foram entregues com atraso ou ainda não chegaram ao seu destino nas 225 cidades abrangidas pela Diretoria Regional São Paulo Interior.

Ontem, sindicatos de bancários de todo o País realizaram assembleias em que foi avaliada e negada a nova proposta de reajuste apresentada pelos bancos na última sexta-feira, iniciando greve por tempo indeterminado a partir de hoje.

Os trabalhadores mostram-se insatisfeitos com os 8% oferecidos pela representação das empresas através da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). “Nos foi apresentada uma proposta praticamente idêntica à anterior, com míseros 0,2% além dos 7,8% que haviam sido oferecidos no dia 20. Não dá pra aceitar. Os bancos tiveram ganho de 24% a mais do que no ano passado”, critica Paulo Tonon, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas.

Segundo ele, em Bauru e Região são mais de 3.100 bancários e mais de 150 agências, 62 só na cidade. Todas devem aderir à greve, uma vez que se estende tanto a bancos privados quanto públicos.

“Não temos como precisar quantos dias vamos ficar em greve. Isso depende muito das negociações, e por isso mesmo esperamos que seja um tempo curto e que sejamos atendidos”, diz Tonon. A última paralisação da categoria aconteceu em outubro do ano passado e durou 15 dias.

 

Em discussão

O aumento pregado pela Fenaban, estrutura paralela à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que representa os associados em todas as questões trabalhistas, foi contestado veementemente pelos bancários, que alegam representar esse índice apenas 0,56% de aumento real.

Apesar de fazer parte da Conlutas, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região deve seguir as datas e prazos estipulados nacionalmente. “Vamos seguir os grandes sindicatos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília”.

Ainda de acordo com informações do Sindicato, a data-base da categoria em todo o País é em 1º de setembro. A pauta da campanha salarial nacional foi entregue em 12 de agosto.

Em nota, a Fenaban afirmou que o calendário de negociações, proposto por escrito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) está sendo cumprido e condenou a greve considerando-a “fora de propósito”. A entidade ainda avalia que “qualquer atitude que dificulte o atendimento aos usuários é condenável, principalmente quando a negociação pode continuar e evitar qualquer paralisação”.

 

Impasse

Presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb), José Aparecido Gimenes Gândara confirmou ontem a manutenção da paralisação dos funcionários que ainda aguardam nova proposta da empresa.

“Continuamos a greve pois até agora não fomos atendidos. O que existe agora é uma movimentação política em Brasília. Mas é preciso sair desse impasse e encontrar logo uma solução. A greve é o último artifício do trabalhador e não podemos ser tratados como em tempos de ditadura, onde não havia conversa ou diálogo”, reclama.

 

Serviço de ‘urgência’ é garantido por bancários

De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru Paulo Tonon, os prejuízos da greve aos cidadãos devem ser minimizados. Além dos serviços de autoatendimento que serão mantidos, o sindicato garante auxílio aos clientes. “Os pagamentos continuarão sendo feitos pelo autoatendimento, e garantimos a manutenção de um comitê em cada agência para realizar os serviços de compensação e atender casos de urgência e emergência.”

A orientação parte da própria Febraban, que pede para que os bancos busquem todos os meios legais para garantir o atendimento à população. “Precisamos tentar garantir que a população não seja prejudicada por esse ato precipitado do sindicato. Aos clientes bancários, lembramos que os canais alternativos podem ser utilizados a qualquer momento, como Internet, telefone, autoatendimento e correspondentes”.

Apesar de acarretar transtornos ao cidadão, a paralisação dos bancários, a princípio, não fere os direitos dos consumidores. Segundo a coordenadora do Procon/Bauru, Fernanda de Assis Martins Pegoraro, ao fornecer alternativas para dar continuidade aos serviços prestados, a entidade não deixa de frear completamente os serviços considerados essenciais. “O que não pode é os serviços serem interrompidos completamente e não podem configurar prejuízo ao consumidor”.

Ainda de acordo com a coordenadora, as empresas também são afetadas com o atraso da entrega ou emissão de boletos. “Muita gente sabe do vencimento de contas, como energia e a fatura do cartão de crédito, e não procura as empresas para quitar os débitos antes que vençam. Nesses casos, não podemos culpar as empresas desde que estas forneçam outra alternativa para uma segunda via de pagamento, como pela internet”, explica.

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