Quem tem veículo bicombustível ? o popular automóvel flex - deve ficar atento quando for encher o tanque em Bauru. Segundo especialistas, a cidade passa por uma "guerra" entre distribuidoras e postos e, com isso, o preço do litro do etanol despencou. Assim, enquanto na grande maioria do país - inclusive no Estado de São Paulo - compensa abastecer com gasolina, em Bauru, o etanol é mais vantajoso. Porém, tal vantagem deve ser temporária.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), o litro do etanol pode ser encontrado por R$ 1,69. Já para a gasolina, a média de preço é de R$ 2,69. De acordo com a conta básica de rendimento, quando se divide o valor do litro do álcool pelo da gasolina e o resultado é abaixo de 0,7, compensa abastecer com etanol. Em Bauru, o resultado é de 0,62.
A cidade, entretanto, diverge totalmente da realidade do país. De acordo com uma pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), somente em dois Estados a gasolina ainda é mais vantajosa: Goiás e Mato Grosso. Assim, os preços nas bombas de Bauru fogem até do contexto de São Paulo.
O presidente do Sincopetro, José Antônio Reghine, explica que essa realidade bauruense incomum é devido a uma "guerra" instalada no setor há cerca de dez dias. "Uma distribuidora perdeu espaço em vendas e está vendendo o etanol a um preço totalmente irreal. Então, os concorrentes, tanto distribuidoras quanto postos, tiveram que baixar os valores", afirma.
Segundo ele, caso não houvesse essa disputa, o litro de etanol estaria custando, em média, R$ 1,99, ou seja, R$ 0,30 mais caro do que o preço atual.
Porém, o paradoxo dessa "realidade irreal", de acordo com Reghine, deve durar pouco tempo. Apesar de não arriscar prazos, o presidente do Sincopetro explica que, em breve, o etanol voltará ao preço normal. Por isso, o conselho é aproveitar o momento. "Com certeza, essa queda do preço do etanol é algo temporário. Como é uma situação totalmente atípica, os preços voltarão ao normal em breve".
O empresário do ramo Edivaldo Tuschi confirma o panorama passado pelo sindicato. Ele também acredita, entretanto, que o efeito é passageiro. "É uma situação em que todos estão perdendo. Logo, as companhias irão mudar o perfil e o valor se estabelecerá na normalidade", completa.
Apesar dos preços, o empresário conta que, em sua rede de postos, a procura entre gasolina e etanol está pareada. "Verifico que está entre 50% para cada (combustível). Tem muita gente ainda preferindo gasolina. E o rendimento varia de carro a carro (leia mais na página 18). Então, para alguns, a diferença acaba sendo pouca", completa.
Safra
Além de a probabilidade de o preço do etanol subir assim que a "guerra" no ramo acabar, os especialistas afirmam que o quadro futuro não é otimista. Segundo o Sincopetro, é certo que falte etanol nas bombas este ano em Bauru.
O motivo seria a safra que, com previsão de durar até novembro, já está se encerrando em várias usinas. Com isso, a previsão é de que, em alguns meses, a demanda de etanol supere bastante a oferta.
"No ano passado, a safra foi de março a novembro e já faltou etanol. Este ano, começou em maio e já está terminando. Então, em breve, faltará a oferta de etanol nas bombas", afirma o presidente do Sincopetro, José Antônio Reghine. A previsão é de que o combustível já falte nos postos em novembro.
Queda da porcentagem
de álcool anidro deve elevar preço da gasolina
A partir do próximo sábado, a gasolina também deve ficar mais cara nas bombas. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), o aumento nos preços se deve justamente à redução imposta pelo governo federal da quantidade de álcool anidro na composição da gasolina.
Antes, o teor máximo de álcool na gasolina era de 25%. Agora, na tentativa de conter a elevação do preço do etanol e de evitar que o combustível acabe, o governo reduziu esse limite para 20%. Valor que passa a valer a partir do próximo sábado.
Entretanto, se a medida visa benefícios ao etanol, o preço da gasolina deve se elevar. "O que ocorre é que a tributação do etanol é menor do que a da gasolina. Com essa diminuição, a gasolina terá menos etanol. Com isso, ficará mais cara", explica o empresário do ramo Edivaldo Tuschi.
Segundo o presidente do Sincopetro em Bauru, José Antônio Reghine, esse aumento deve chegar a R$ 0,05 por litro de gasolina. Entretanto, entre diversas variáveis, o empresário Tuschi afirma que a ação da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) poderia conter essa elevação no preço da gasolina. "Esse é um imposto que tem por finalidade absorver exatamente essas variações. Se for o caso, o governo pode optar por essa alternativa", aponta.