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Novas ameaças contra a Previdência Social

Paulo César Régis de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Tudo indica que a 3ª. reforma não sairá tão cedo. Não vejo ninguém no governo interessado em mudar o financiamento da Previdência Social pública, intimidado com o déficit da previdência, sofrendo com o peso dos benefícios no PIB, preocupado com as crescentes transferências do Tesouro para cobri-lo, como não sinto que haja interesse por parte da Fa-zenda em mudar a simples contabilidade da Previdência. Talvez saia alguma coisa caso o Congresso, num descuido da base aliada, aprove o fator previdenciário. Se depender de pressão dos sindicatos não sai. Eles não fazem. Preferem a ociosidade. O que me preocupa é ava-lanche de projetos contra a Previdência que tramitam na Câmara e no Senado. Mais de uma centena. Nenhum a favor, todos contra.

Na esteira do estado protetor, que comanda o paternalismo, o populismo e o assistencialismo, querem resgatar "direitos", construir a "cidadania", fazer "justiça social" e instituir benefícios sem custeio. A prática vem de longe. A maior delas foi o Funrural, que custou ao país R$ 55,4 bilhões em 2010. Entre 2006 e 2011, levou R$ 213 bilhões. Os segurados urbanos estão pagando a conta e tiveram seus benefícios achatados. Quem foi aposentado com três salários mínimos está com um, que se aposentou com cinco, está com três, com sete está com cinco.

Ninguém mais se aposenta pelo teto e o valor médio dos benefícios, na concessão e na manutenção, não chega a dois salários. Em inúmeras oportunidades a ANASPS denunciou o problema, clamou por solução, da mesma forma que afirmamos que o fator previdenciário só prejudicou os segurados que contribuíram para receber uma aposentadoria digna. O desespero bateu nos 41,3 milhões de segurados do INSS que temem pelo seu futuro. Os planos de previdência já conseguiram enganar 11 milhões deles.


O autor, Paulo César Régis de Souza, é presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social - Anasps

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