São Paulo -Relatório divulgado ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que a cidade do Rio, que vai receber dois eventos mundiais e turistas do mundo inteiro - a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 -, está mais poluída do que São Paulo.
Mesmo assim, diz o relatório, os paulistanos respiram um dos ares mais poluídos do mundo. A Capital apresenta uma média de poluição do ar com 38 microgramas por metro cúbico, ou duas vezes mais do que o ideal recomendado pela OMS. São Paulo se equipara a Paris e Buenos Aires em termos de poluição do ar, e está acima de Roma.
De acordo com a OMS, a poluição do ar chegou a níveis tão elevados que pode ameaçar a saúde dos que vivem nas metrópoles. Segundo o levantamento, o desenvolvimento da economia está atrelado aos poluentes. Nações emergentes, incluindo o Brasil, estão entre as mais poluídas.
A pesquisa, que englobou 1.100 cidades de 91 países, mostra as taxas de poluição por capital e cidades com mais de cem mil residentes. Nesse ranking, o Brasil consta na 44ª posição.
Estima-se que mais de 2 milhões de pessoas morram todos os anos devido ao material particulado presente no ar poluído. Uma vez que se alojam no pulmão, essas partículas podem causar o desenvolvimento de doenças no coração e no pulmão.
Segundo a OMS, estas partículas -comuns em diversas áreas urbanas- se originam a partir da combustão presente nos veículos e em usinas de energia.
O estudo conclui que a grande maioria das populações urbanas sofre uma exposição média anual a essas partículas de poluição maior do que o recomendado pela OMS. Enquanto a organização recomenda que o ar tenha poluição do ar de até 20 microgramas por metro cúbico, em algumas cidades o número chega a 300 microgramas por metro cúbico.
Se a recomendação da OMS tivesse sido seguida, a organização estima que 1,09 milhão de mortes poderiam ter sido evitadas somente em 2008.
Os dados usados no estudo foram obtidos a partir de fontes nacionais ou de cidades específicas, e são baseados no monitoramento da qualidade do ar realizado pelas cidades. As medições desconsideraram regiões industriais, que poderiam levar a dados superestimados.
As medições foram feitas entre 2003 e 2010, sendo que a maioria é do período entre 2008 e 2009.
Saúde
O objetivo da OMS é uma maior consciência dos riscos à saúde causados pela poluição do ar, a implementação de políticas efetivas e acompanhar de perto a situação nas cidades.
A OMS espera que uma redução média anual de 70 mg/m3 de PM10 (material particulado com 10 micrômetros ou menos) para 20 mg/m3 de PM10 diminua em 15% a mortalidade.
"A poluição atmosférica é um grave problema de saúde ambiental. É vital que aumentemos os esforços para reduzir o impacto na saúde que ela [a poluição atmosférica] cria", afirmou a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, Maria Neira.