O ministro de governo da Bolívia, Sacha Llorenti, inesperadamente renunciou nesta terça-feira (27), aprofundando uma crise política na administração de Evo Morales por causa de uma violenta repressão policial a uma manifestação de indígenas amazônicos.
"Pedi ao presidente do Estado Plurinacional que aceitasse minha renúncia e ele o fez. Tomei essa decisão porque não quero me tornar um instrumento da direita, da oposição", disse Llorenti em uma breve declaração a repórteres no palácio presidencial.
"O que (a oposição conservadora) pretende é atacar o processo de transformações estruturais e danificar a imagem de nosso presidente", acrescentou ele.
A polícia dissolveu no domingo uma manifestação que se dirigia a La Paz contra um projeto financiado pelo Brasil para a construção de uma rodovia que deverá cortar a Amazônia boliviana.
Sob pressão, Morales anunciou na segunda-feira (26) à noite a suspensão temporária do questionado projeto, mas cerca de 200 indígenas permanecem acampados na localidade de Rurrenabaque, onde discutem se irão retomar a marcha até La Paz.
A renúncia de Llorenti aconteceu depois de que sindicatos urbanos, estudantes e organizações cívicas regionais decidiram intensificar as mobilizações em solidariedade aos indígenas.
A violenta intervenção da polícia provocou nesta segunda-feira (26) a renúncia da ministra da Defesa, Cecília Chacón, e nesta terça-feira as demissões do vice-ministro do Interior, Marcos Farfán, e da diretora de Migração, Maria René Quiroga, todos citando desacordo com a repressão policial.