Regional

Filiação no PMDB pode tirar vaga

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú – O vereador Fernando Frederico assina sua ficha de filiação no PMDB hoje em São Paulo em cerimônia no Diretório Estadual numa estratégia de concorrer à sucessão municipal do prefeito de Jaú, Osvaldo Franceschi Junior (PV), no ano que vem, de quem foi líder do governo na Câmara Municipal durante os primeiros seis meses do atual mandato até romper politicamente e partir para a oposição à atual administração.

O primeiro passo para se cacifar como virtual candidato está sendo dado ao desligar-se do PV e ingressar em nova legenda partidária. Frederico também é cortejado pelo PSDB e PT para ser o vice na chapa em 2012, do qual ele confirma os convites.

Ele admitiu ontem ao JC suas pretensões de disputar como candidato na sucessão municipal de Franceschi, porque o partido não descarta lançar candidatura própria em 2012. “A única decisão fechada é que o PMDB não vai apoiar ninguém da atual administração. É possível ter candidatura própria ou indicar o candidato a vice do PT. Já tem aval do diretório estadual para apoiar os petistas, mas no momento certo vamos analisar”, ressalta.

Frederico deixa o PV, mas não descarta a hipótese de enfrentar uma ação de perda de mandato por infidelidade partidária. O PV pode ingressar na Justiça Eleitoral, mas tem um prazo de 30 dias a partir da data da desfiliação do vereador.

O prefeito Osvaldo Franceschi confirmou ontem que vai pedir a vaga do ex-vereador por abandonar a legenda (leia abaixo).

Frederico garante que a sua saída do PV tem justa causa: “Não era sequer convidado para as reuniões da Executiva Municipal do PV, a direção Executiva foi alterada sem ouvir seus filiados e, quando houve essa alteração, saiu publicado na imprenssa que a nova presidente empossada cobrou que ou apoia o prefeito ou será expulso da legenda. É uma grave perseguição pessoal em relação a mim”, declara.

Os suplentes da vaga ligados ao PTB também podem pedir a cadeira do vereador que deixou o PV. O primeiro suplente é Fernando Barbieri que, no entanto, trocou de partido e teria perdido legitimidade, mas há a segunda suplente Ligia Bauab e Nilton Coló (prestes a se transferir para o PMDB). Eles podem pedir a cadeira sob argumento de infidelidade partidária.

Junto com Frederico, o PMDB também ganha novos filiados como o ex-prefeito Paulo Sérgio Almeida Leite, o ex-deputado Cândido Galvão de Barros, o “Candão”, o ex-vereador José Nabuco Galvão entre outras lideranças políticas.

O PMDB atualmente é o partido do vice-presidente da República, Michel Temer, e vem se reestruturando no Estado após a morte do ex-governador Orestes Quércia, que se aliou aos tucanos no último pleito estadual.  Apesar dos peemedebistas fazerem parte do governo federal, eles querem sair fortalecidos nas eleições municipais em todo o país, por isso o interesse de candidaturas próprias, inclusive em Jaú. Na capital, por exemplo, a vinda de Gabriel Chalita e Paulo Skaf para o partido faz parte dessa estratégia de rivalizar com o PT na sucessão municipal.

Em Jaú, por exemplo, o PMDB dá sinais de que pode ser protagonista e não só aliado na próxima eleição, apesar do bom relacionamento de Frederico com o PV e PSDB.

O vereador Fernando Frederico acusa o ex-prefeito Osvaldo Franceschi e a primeira-dama Caroline Franceschi de esvaziarem o PV. “A própria primeira-dama convidou todo mundo do PV para ir para o DEM. Se o PV continuar apoiando ele no DEM, é um partido de aluguel”.

Sobre o rompimento com a atual administração, ele disse que não concordava com inúmeros procedimentos do atual governo.

 “Além do inchaço da máquina, há muitas atitudes equivocadas. Ele (prefeito) tem condenação em primeira instância por não fazer aterro sanitário, mas teve três Comissões de Inquéritos, duas delas poderiam ter levado à cassação do mandato. Falta capacidade para estabelecer prioridades”, finaliza o parlamentar.

 

Franceschi diz que pedirá vaga por infidelidade partidária de ex-aliado

O prefeito de Jaú, Osvaldo Franceschi Junior (PV), declarou ontem no início da noite que junto com o partido vai buscar a vaga do vereador Fernando Frederico por ter deixado o partido. A ação será com base na resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que estabelece os casos de perda de mandato por infidelidade partidária.

Franceschi afirma que Fernando Frederico teve toda a liberdade para exercer o seu mandato de vereador no PV e nunca foi coibido. “Ele sai por livre espontânea vontade. Nem eu e nem a primeira-dama contribuíram para a sua saída da legenda”, declara o chefe do executivo por meio de sua assessoria de imprensa.

“O vereador promovia reuniões em seu escritório para discutir coisas do PV com outras pessoas. Não houve perseguição da minha parte e sim do vereador que aprovou três Comissões Especiais de Inquérito (CEIs) contra o governo municipal, além disso, ele deixou de ser líder do governo sem qualquer justificativa. Depois ainda propôs uma Comissão Processante para tentar a cassação do meu mandato, embora fosse filiado do mesmo partido da administração”, reclamou o prefeito.

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