Polícia

Ladrões avaliam economia para roubar ouro e joias em Bauru

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo JC

Com a maior cotação histórica, ouro se torna mais precioso aos olhos dos ladrões

Ladrões agindo subsidiados por informações da conjectura econômica nacional e internacional. É assim que a polícia passou a se preocupar com furtos e roubos em Bauru. A cotação histórica do ouro faz parte desse aspecto alarmante, uma vez que a tendência é a de que aumentem os crimes na cidade visando o metal que se torna cada dia mais precioso.

Entretanto, os ladrões não abrem o caderno econômico de notícias para saber o que é mais valioso no momento. Eles aprendem a economia das ruas, ou melhor, no tráfico. A cada crime que cometem, o valor dos “espólios” ensina o que está mais valorizado como moeda de troca.

“Estamos realmente preocupados que haja um aumento em furtos em residências e joalherias. O bandido furta um celular, por exemplo, que é o produto mais visado hoje (leia mais abaixo). Quando ele vai trocar por drogas, o aparelho vale pouco. O mesmo não ocorre com uma corrente de ouro”, alerta comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho.

A alta histórica do preço do ouro é devido a uma desconfiança grande em relação ao dólar. Após dados divulgados por agências de avaliação de risco financeiro, o ouro passou a ser visto com maior confiabilidade, o que elevou bruscamente seu preço.

“Além de o ladrão verificar na prática o produto que vale mais como moeda de troca, os receptadores sabem realmente desse contexto econômico. Conhecendo essa conjectura, eles encomendam o que está mais cotado”, completa Garcia.

O diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-4 (Deinter-4), Benedito Antônio Valencise, acredita que essa busca pelo metal precioso ainda está mais concentrada em grandes situações. Segundo ele, “tudo depende das circunstâncias”. “Quando um receptador ou um traficante encomenda, essa busca pelo ouro pode até acontecer em crimes maiores”.

 

Furtos


Segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, de janeiro a agosto de 2011, foram 3.585 furtos em Bauru. O número é levemente superior ao mesmo período do ano passado, no qual foram registrados 3.391. A mesma elevação ocorreu com os roubos, enquanto os homicídios diminuiram.

Este ano, as regiões mais visadas para os furtos continuam sendo o Centro e o Sul da cidade. Segundo as polícias Militar e Civil, o fato se justifica pelo grande fluxo financeiro e de pessoas desses locais, onde estão concentrados o comércio e muitas agências bancárias.

Apesar dos números divulgados, o diretor do Deinter-4, Benedito Valencise, aponta um fator que pode “mascarar” as estatísticas. “Grande parte desses números é de furtos de documentos. Porém, em várias ocorrências, verificamos que os casos são de perdas de documentos. Estamos investigando isso. É preciso registrar de modo correto”, escalrece Valencise, que ainda aponta uma reengenharia das unidades da Polícia Civil programada para melhorar ainda mais esses índices.

 

Previna-se

Para evitar tanto furtos quanto roubos, há algumas dicas de prevenção. Nas ruas, a polícia recomenda que seja mantida uma distância de 20 metros em relação a uma pessoa suspeita e, se desconfiar que está sendo seguido, a dica é entrar em algum estabelecimento.

Em casa, o conselho é sempre trancar a porta da cozinha e reforçar travas em janelas e outros acessos. Deixar a luz acesa para que o ladrão pense que alguém está na casa já se tornou comum, indicando exatamente o contrário ao bandido.

Em motos, deve-se colocar correntes para evitar furtos. Além de travas, os carros nunca devem manter objetos de valor sobre os bancos.

 

Homicídios e roubos

De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, os homicídios dolosos reduziram significamente em Bauru neste ano. De janeiro a agosto, foram registradas 20 ocorrências, enquanto que, no mesmo período de 2010, foram 34. A diminuição foi de aproximadamente 70%.

Em contramão ao número de homicídios, os roubos aumentaram. De janeiro a agosto de 2011, foram registradas 784 ocorrências em Bauru. Já nos primeiros oito meses do ano passado, foram 689 roubos na cidade.

 

Celulares ainda são os ‘preferidos’ nos furtos

Apesar da preocupação da polícia em relação a uma onda de crimes visando o ouro, o alvo campeão dos furtos ainda são os aparelhos celulares. Além de serem facilmente comercializados no universo do tráfico, os equipamentos continuam com um bom valor econômico na criminalidade.

Segundo o capitão Paulo César Valentim, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar (PM), que coordena as áreas Centro e Sul - as áreas mais recorrentes de furtos em Bauru -, esse valor ainda não diminuiu muito por conta da inserção nos sistemas prisionais.

“Estão ocorrendo muitas apreensões e localizações de aparelhos de comunicação nas cadeias. Os celulares ainda possuem um valor alto nas instituições prisionais. O bandido precisa dele”, explica.

Entretanto, apesar dessa preferência, muitos outros produtos são alvos. Segundo a PM, em momentos de desespero, são levados todos os objetos que podem ser utilizados como moeda de troca, desde cadeiras até vasos de orquídeas.

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