Polícia

?Operação Flórida? esclarece homicídio de jovem de 20 anos

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 6 min

Neide Carlos/Arquivo

O corpo de Katherine foi localizado por pedestre que passava no local

Depois de quase quatro meses de investigações, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, identificou três acusados de matar a tiros a jovem Katherine Marcela Pereira de Souza, 20 anos, em maio deste ano. A vítima foi atingida por dois tiros disparados por Evandro Rodrigues Ferreira Júnior, 18 anos, que já estava preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru por tentativa de homicídio, sequestro, cárcere privado e tortura de Maércio Silva, 55 anos - fato noticiado pelo JC em 12 de agosto.

Wesley Donizeti Serafim Santos, 26 anos, o “Eda”; Rodrigo Augusto da Silva Rodrigues, 26 anos, o “Codorna”; e Lucas Souza de Oliveira, 20 anos, o “Lucão”; foram presos ontem pela participação no crime em uma operação feita por 26 policiais da DIG, Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (Garra) e Delegacia Seccional de Polícia de Bauru que foi intitulada “Operação Flórida”.

Katherine Marcela foi encontrada morta com cinco perfurações de projéteis no dia 19 de maio deste ano. Seu corpo estava abandonado em um terreno com mato alto e cheio de entulho aonde a população da Quinta da Bela Olinda costuma dispensar lixo. Em seu corpo havia muitas tatuagens. A primeira suspeita era de que a sua morte tinha alguma ligação com o tráfico de drogas.

Familiares da vítima, que tiveram a identidade mantida em sigilo, relataram à equipe de reportagem do JC na época que a jovem teria saído de casa há anos por conta do uso de entorpecentes. Então, a linha de investigação da Polícia Civil partiu desta informação.

O setor de inteligência da DIG de Bauru começou a aprofundar mais o caso e descobriu, por meio de informação privilegiada e com uma prova determinante - que segue em segredo de justiça -, informações que foram cruzando-se até chegarem ao histórico completo do caso.

 

Frieza

De acordo com o delegado titular da DIG, Kleber Granja, Katherine tinha um perfil de usuária de drogas e costumava se prostituir para sustentar o vício de crack. “Chegou um momento em que ela começou a causar problema porque subtraía drogas das biqueiras, então Rodrigo ordenou que Evandro, Wesley e Lucão resolvessem o problema”, contou o delegado.

Katherine foi atraída para uma emboscada por Evandro, que disse a ela que iria levá-la para um “programa noturno”, já que ela costumava se prostituir. Os dois seguiram em uma motocicleta até o terreno na Quinta da Bela Olinda. Neste local ela foi arguida por Evandro sobre o pagamento das drogas que havia subtraído.

Logo chegaram Wesley e Lucas, que também discutiram com a vítima. Wesley estava armado e entregou a arma para Evandro, que a executou. No total, o laudo necroscópico da perícia técnica apontou cinco perfurações no corpo de Katherine: na cabeça, na altura do ombro direito, abaixo da nuca, no braço esquerdo e na mão esquerda. Entretanto, apenas dois projéteis foram localizados: um no crânio e outro no pulmão direito.

Provavelmente a vítima levou o primeiro tiro nas costas e a bala teria se alojado no pulmão. “Essa atitude geralmente acontece porque a vítima tenta fugir”, explicou Granja. Já o segundo tiro foi na cabeça, crucial para a morte. Neste momento ela também tentou se defender e a bala pode ter transpassado a mão esquerda, a cabeça e a nuca.

Estas características são indícios de que Katherine foi friamente executada. Ao ser atraída para uma emboscada, a vítima também foi impossibilitada de defender-se, por isso o crime foi registrado como homicídio qualificado.

 

Chegando aos acusados

Tendo o laudo necroscópico em mãos e as investigações avançadas, foram identificados os acusados do crime: Rodrigo Augusto da Silva Rodrigues, 26 anos, o “Codorna” - considerado o patrão do tráfico -, e Wesley Donizeti Serafim Santos, 26 anos, o “Eda”, Evandro Rodrigues Ferreira Júnior, 18 anos, e Lucas Souza de Oliveira, 20 anos, o “Lucão” - que eram seus “assessores de confiança”.

Os oito mandados de busca e apreensão foram expedidos na última sexta-feira, no entanto, era preciso esperar o momento certo para agir. Então, na manhã de ontem, a equipe se dividiu e os oito mandados foram cumpridos a partir das 6h. Wesley foi localizado em uma residência no Jardim Flórida. Com ele foram apreendidos R$ 103,00, três aparelhos celulares, uma pedra de crack e uma folha com possíveis anotações do tráfico.

Rodrigo foi detido em uma residência bem estruturada no Jardim Flórida. Dentro de um guarda roupas em um quarto da casa foi localizado e apreendido R$ 749,00, um aparelho celular, duas folhas com prováveis anotações do tráfico e um automóvel Ford Fusion de placas APK 6295. Já Lucas foi preso na empresa aonde trabalhava no Centro de Bauru.

Eles não confirmaram autoria do crime à Polícia Civil, no entanto, o padrão de vida levado, principalmente por Rodrigo - que disse ser empresário -, não condiz com as informações angariadas nas investigações. Rodrigo, Wesley e Lucas foram encaminhados à DIG e, posteriormente, seguiram para a Cadeia Pública de Duartina aonde aguardarão por decisão judicial.

O caso foi concluído pela Polícia Civil, no entanto, o exame de balística dos projéteis coletados do corpo de Katherine poderá subsidiar outras investigações já que cada arma produz ranhuras únicas nos projéteis, como uma impressão digital.

 

Tortura

Quando as informações do setor de inteligência da Polícia Civil chegaram a Evandro Rodrigues Ferreira Júnior, 18 anos, como um dos autores do crime, ele já estava preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru por tentativa de homicídio, sequestro, cárcere privado e tortura de Maércio Silva, 55 anos.

O fato foi noticiado pelo Jornal da Cidade no dia 12 de agosto e revelou que Evandro e seu irmão, um adolescente de 16 anos - atualmente apreendido pelo ato infracional na Fundação Casa de Bauru -, mantiveram a vítima em cárcere privado por três dias na rua José Bombini, Vila São Paulo.

Maércio mantinha um relacionamento com a mãe dos dois jovens. A Polícia Civil chegou à conclusão de que havia interesse dos acusados em “pegar” uma certa quantia em dinheiro que Maércio tinha recebido da venda de um imóvel. Por isso, a prisão temporária de Evandro e a apreensão de seu irmão foram expedidas em face de tentativa de latrocínio.

 

Biqueira

Durante a “Operação Flórida” foi feita busca em uma biqueira localizada no cruzamento das ruas Francisco Maiolo com Felício Atala, no Jardim Flórida. O ponto é conhecido como biqueira da “telona”, e no momento havia dez usuários no local.

Não foi localizado nenhum entorpecente, até porque os usuários confirmaram que passaram a noite e madrugada consumindo drogas ali. Um dos usuários, Alexandro dos Santos Aguiar, 32 anos, foi preso e encaminhado à Cadeia Pública de Duartina por constar como procurado pela Justiça.

O local também era frequentado por Katherine Marcela Pereira de Souza.

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